Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 10/09/2020

Segundo a Constituição Brasileira de 1988, a saúde é um direito de todos. Todavia, diante da ineficácia estatal em prover as necessidades gerais, parte dos brasileiros tende a consumir remédios por conta própria, sendo a automedicação um grave problema para o país. Nesse contexto, cabe avaliar como a falta de qualidade nos serviços públicos de saúde e a mídia contribuem para tal questão.       É fato que a negligência estatal contribui para que muitos cidadãos recorram à farmácia, sem consulta médica. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar dos membros da sociedade. Entretanto, os governos não cumprem esse papel, não destinando suficientes recursos financeiros para a saúde, o que acarreta nas longas filas e ausência de profissionais e equipamentos nos hospitais e postos de saúde. Como resultado, uma parcela dos brasileiros se automedicam, ficando expostos à intoxicação e ao possível agravamento dos sintomas, pois apenas o médico pode avaliar qual a correta medicação para cada situação.

Além disso, é imperativo ressaltar a massiva propaganda midiática de remédios como fator para a automedicação. De acordo com o pensador Frederick Skinner, os hábitos culturais são construídos socialmente, e podem sofrer influências do governo, educação, ou, como no caso em questão, da mídia e das indústrias. Nesse viés, diariamente, as empresas farmacêuticas divulgam propagandas que incentivam o uso autônomo de fármacos. Consequentemente, a compra não prescrita por médicos de remédios tornou-se um hábito culturalmente compartilhado, mesmo sendo um comportamento de alto risco.

Portanto, é necessário que o problema da automedicação seja enfrentado. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde a ação de aumentar a estrutura de postos de saúde, com investimentos em profissionais e equipamentos proporcionais à densidade demográfica local, por meio de proposta junto à Lei Orçamentária, com a finalidade de receber mais pessoas, evitando que se automediquem. Outrossim, o Governo Federal, em parceria com a mídia, mediante campanhas publicitárias, deve alertar a população sobre as consequências do hábito de consumir medicamentos autonomamente, o que resultará em mais reflexão sobre o tema. Assim, com a união de múltiplos agentes, o Estado combaterá a automedicação, e cumprirá o seu dever constitucional.