Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 14/09/2020

Historicamente, tem-se conhecimento da Revolução Médico-Sanitária, movimento que gerou melhoras no sistema de saúde no Brasil, através de medidas como o barateamento de medicamentos e ampliação de serviços médicos. Na contemporaneidade, sabe-se que as propostas dessa reforma foram oficializadas na Constituição Federal de 1988, porém, em consequência do mais fácil acesso aos remédios, o seu consumo acaba sendo feito de maneira irracional. Nesse contexto, pode-se pontuar sobre os causadores dessa problemática, que diz respeito ao uso indiscriminado de tais substâncias e à banalização da automedicação.                                                                                                                     A priori, convém ressaltar que, segundo a Organização Mundial de Saúde, o uso inadequado de remédios é um dos maiores problemas em nível mundial. Sobre isso, estima-se que mais da metade desses medicamentos são prescritos e vendidos de modo incorreto. Com isso, destaca-se que o Brasil é o país da América Latina que mais consome fármacos, grande parte dos brasileiros utilizam excessivamente e frequentemente essas substâncias, burlando as dosagens e os intervalos recomendados pelos médicos, tudo para tentar conseguir um resultado mais rápido. Dessa maneira, nota-se que a nação brasileira sempre procura o imediatismo, mesmo que tenha que ir contra princípios de saúde.                                                                                                                                                       A posteriori, outro entrave é a mentalidade retrógrada por parte da sociedade, que age como se a automedicação não fosse uma adversidade, e banalizam esse problema. Por certo, tal atitude se relaciona com o conceito de banalização do mal, trazido pela socióloga Hannah Arendt, pois, segundo ela, quando uma ação maléfica se torna constante, as pessoas a enxergam com normalidade. Dessa forma, segundo o Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade, a mediocrização é tão alta que o Brasil é o líder mundial de autoprescrição de remédios, ficando na frente de países como China e Índia, onde suas populações são mais numerosas que a brasileira.

Portanto, conclui-se que o uso irracional de fármacos é constante, na atualidade, e deve ser erradicado. Nessa perspectiva, é função do Ministério da Saúde, em junção ao Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, promover campanhas, por meio de debates públicos, sobre a importância do uso racional de remédios, para evitar o consumo errôneo dessas substâncias. Em adição, a Mídia deve divulgar propagandas alertando as consequências da banalização da automedicação, com comerciais na rede aberta de televisão, com a finalidade de acabar com essas praticas.