Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 15/09/2020
Com base nos signos opostos, liberdade e responsabilidade, o livre arbítrio apresenta limitações no plano individual do ser responsável, uma vez que suas ações têm consequências ao indivíduo. Nessa conjuntura, a automedicação, prática frequente entre a população, pode ser um ato perigoso à saúde clínica, pois não é baseada em relatórios médicos. Sob esse ponto de vista, o agravamento do impasse resulta do fácil acesso à medicamentos sem receita médica pela ausência de uma lei que proíba essa compra irresponsável. Desse modo, medidas públicas são fundamentais para amenizar a situação e seus riscos.
É importante ressaltar, em primeiro plano, o debate gerado pelo documentário “Take your pills”, que demonstra o uso de remédios estimulantes como forma de melhorar a performance nos estudos ou no trabalho, já que aumenta a produtividade do usuário. Tais remédios são receitados para aliviar transtornos, como déficit de atenção e hiperatividade, no entanto tornou-se de uso comum pela facilidade de seu comércio. Apesar das consequências no organismo causadas pela ingestão dessas drogas, seu efeito estimulante influencia a compra.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a pressão sobre os indivíduos para adequar-se ao sistema capitalista em meio à competitividade e à alta demanda por rendimentos mais eficazes. Visto que o modelo econômico atual lucra em cima de melhores desempenhos, os sujeitos procuram superar-se continuamente, o que acarreta na busca por métodos alternativos que geralmente apresentam riscos à saúde. Paralelamente, tal ideia de superação é explicitada no livro “Sociedade Espetáculo” de Guy Debord em que a lógica do intercâmbio mercantil atingiu toda a vida cotidiana.
Em suma, como o ato de automedicar-se perdura na sociedade e não representa responsabilidade, nem o ideal de saúde pública, o governo deve promover mudanças no cenário atual. Assim, cabe ao Poder Legislativo atuar na questão por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados que obrigue o consumidor a mostrar uma prescrição médica na compra de qualquer remédio. Ademais, urge que o Ministério da Educação, em parceira com as instituições de ensino, elabore palestras com a participação de psicólogos e profissionais de saúde a fim de alertar sobre os perigos da automedicação. A partir dessas ações, espera-se que o direito de liberdade seja exercido de modo responsável.