Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 19/09/2020

Automedicar-se é o ato de ingerir remédios para aliviar sintomas, sem qualquer orientação médica no diagnóstico, prescrição ou acompanhamento do tratamento. Diante disso, surge o debate acerca da automedição no século XXI. Logo, tendo como causa o fácil acesso a medicamentos no sistema de saúde, que gera diversas consequências como o agravamento do quadro desses indivíduos.

A priori, o fato de grande parte da população ter acesso a diversos medicamentos no sistema de saúde é a principal  das causas da automedição. Nesse espectro, de acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), 77% dos brasileiros que fizeram uso de medicamentos nos últimos seis meses. Quase metade (47%) se automedica pelo menos uma vez ao mês, e um quarto (25%) o faz todo dia ou pelo menos uma vez na semana. Além do mais, no Brasil, embora haja regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para a venda e propaganda de medicamentos que possam ser adquiridos sem prescrição médica, não há regulamentação nem orientação para aqueles que os utilizam. O fato de se poder adquirir um medicamento sem prescrição não permite o indivíduo fazer uso indevido do mesmo, isto é, usá-lo por indicação própria, na dose que lhe convém e na hora que achar conveniente. Desse modo, pode-se perceber que o livre acesso a diversos medicamentos tornam seu uso indiscriminado levando a um grave problema de saúde no Brasil.

Ademais, a automedicação é, hoje, uma prática comum entre os brasileiros, podendo causar graves danos ao organismo. Nessa lógica, a novela brasileira “Malhação”, retratou os riscos da automedição, quando a jovem Keyla fez uso de medicamentos sem prescrição médica com fins de perda de peso. A garota sofreu efeitos colaterais ao remédio e teve que ir às pressas para o hospital. Além disso, “O consumo indiscriminado de medicamentos traz graves consequências à saúde da população. A pessoa que utiliza um remédio sem prescrição médica desconhece os riscos farmacológicos especiais e as possíveis interações com outras substâncias”, afirma a clínica geral Ligia Raquel Malheiro de Brito. Segundo ela, a automedicação dificulta o diagnóstico médico, o que pode levar a um agravamento do quadro e induzir escolhas inadequadas de tratamento. Dessa forma, depreende-se portanto, que a automedição atua de forma negativa, podendo causar o agravamento dos quadros dos indivíduos.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde deve proibir o acesso livre aos medicamentos por meio do uso da receita médica na compra de qualquer remédio no sistema de saúde, em que seja obrigatório consultas médicas para aquisição da receita, quando realmente necessário de acordo com o profissional da saúde. Além disso, os médicos devem ressaltar os riscos de automedicar-se. Assim, minimizando os efeitos da automedição no século XXI.