Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 24/09/2020

No documentário Take Your Pills, é retratado a narrativa de jovens que usam remédios sem a prescrição médica no intuito de aumentar suas performances atléticas, escolares e laborais. Infelizmente, a narrativa não destoa da realidade, visto que, hodiernamente o consumo de medicamentos por conta própria tem sido recorrente no país, seja para sanar sintomas ou para aumentar o desempenho.Embora em alguns casos a automedicação seja justificada esse ato frequentemente apresenta riscos a saúde dos dos indivíduos e sérios malefícios futuros.Nesse viés, a sociedade civil e o poder público devem discutir formas de atenuar a problemática.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que o sucateamento do sistema público de saúde favorece a automedicação. A falta de agilidade e a precarização dos atendimentos mostra a ineficiência estatal já que o artigo 196 da Constituição Federal estabelece que a saúde é um direito de todos e dever do estado. Esse aspecto, é intensificado pelo imediatismo que caracteriza a sociedade contemporânea, no qual o sistema capitalista fomenta a busca pelo o alta produtividade sem tempo para o descanso e ajuda médica em caso de doenças. Isso corresponde ao cenário descrito pelo filósofo Byung Chun Han em seu livro Sociedade do Cansaço, onde ele afirma que se vive hoje a sociedade do desempenho.

De outra parte, os problemas não se encontram apenas no uso de medicamentos sem orientação, mas estão nas consequências desse fato. Como toda droga, legal ou não, os remédios podem causar dependência e intoxicações que comprometem a saúde dos usuários. A exemplo, o uso da substância Paracentamol causa intoxicação do fígado o que pode levar a falência do órgão, já o uso indiscriminado dos antibióticos especificamente promove a seleção de bactérias resistentes o que gera uma ameaça global a saúde e intensifica o sucateamento do sistema público de saúde.Desse modo, não é razoável que a população continue praticando a automedicação.

Portanto, visando diminuir a automedicação no século XXI, é preciso modificar a realidade. Assim, o Ministério da Saúde deve criar campanhas informativas que deverão ser transmitidas pela grande mídia a toda população, nas quais serão expostas em uma linguagem compreensível e objetiva os perigos de ingerir medicamentos sem a supervisão adequada e se caso necessário a ingestão como realizá-la de forma responsável, a fim de formar uma sociedade consciente acerca das escolhas pessoais e os riscos á saúde. Com efeito, tais medidas o cenário de Take Your Pills não será a realidade brasileira.