Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/09/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De maneira análoga ao trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade, pode-se estabelecer uma relação metafórica entre as “pedras no caminho” e a questão da automedicação no Brasil contemporâneo, uma vez que esse grave problema precisa ser retirado da sociedade urgentemente. Diante disso, faz-se necessário o debate em torno da alienação social e da base lacunar educacional, pois contribuem para a persistência dessa problemática.

Em primeira análise, a falta de interesse populacional apresenta íntima relação com a existência desse cenário. Tendo isso como base, a expressão “Banalidade do Mal”, da filósofa alemã Hannah Arendt, aborda o resultado do processo de massificação da sociedade, o qual forma os indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando as situações sem questionar. Nessa perspectiva, esse pensamento está diretamente relacionado ao atual contexto brasileiro de alienação social, posto que a população mantém-se calada frente às mazelas sociais, desconsiderando a importância de debates acerca da automedicação para o cumprimento de direitos sociais, como a saúde. Dessarte, é fulcral superar esses paradigmas que dificultam o desenvolvimento do país e o progresso coletivo.

Ademais, uma análise dos métodos da educação nacional é necessária. Nesse sentido, percebe-se uma insuficiência de conteúdos relativos à medicação sem a indicação médica desde os primeiros anos escolares, fruto de uma pedagogia tecnicista e pouco voltada para a formação cidadã do aluno, o que confirma a teoria da pedagoga Vera Maria Candau, a qual infere que o atual sistema educacional está dentro dos moldes do século XXI e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Dessa maneira, com aulas voltadas para memorização teórica, a educação presente nas escolas pouco estimula a reflexão do estudante diante à automedicação, visto que não aborda essa questão na sala de aula. Logo, com a carência de um ensino que fomente o pensamento estudantil relacionado à saúde, o sistema educacional contribui para a permanência dessa oposição no cenário brasileiro.       Evidencia-se, portanto, que a automedicação é um entrave que precisa ser solucionado rapidamente. Para tanto, as escolas devem promover debates com métodos eficientes para combater tal imbróglio, como rodas de conversa com duração mínima de 50 minutos por semana, mediante reuniões familiares que atinja pais e filhos, contando com entrevistas de especialistas dessa transgressão social, a fim atenuar as ações de medicações sem prescrições médicas. Posto isso, o Brasil poder-se-á retirar as “pedras no caminho” e seguir rumo ao desenvolvimento nacional.