Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 28/09/2020
As comunidades indígenas brasileiras, de modo geral, quando algum membro se depara com algum problema de saúde, têm como cultura a consulta ao líder mais velho. Analogamente, em sociedades não indígenas do país, consultas aos avós - que não são médicos, enfermeiros ou farmacêuticos- e à internet são frequentes. Essa circunstância condiciona a automedicação, o que coloca a saúde de diversas pessoas em risco. É necessário, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que haja a contenção da medicação voluntária no Brasil.
A priori, pode-se apontar a ideia do escritor Zygmunt Bauman acerca de, na Era da Informação, a indiferença ser equivalente à morte, baseado na conjuntura de que as ilimitadas informações sobre doenças e medicamentos, presentes na internet, contribuem para que indivíduos - que não são profissionais da saúde, sobretudo médicos - realizem um autoexame. Dessarte, ocorre a automedicação, o que, diversas vezes, além de não solucionar o incômodo, culmina na intoxicação. Acresce que, com a ocorrência desse efeito colateral, há a colaboração para a superlotação dos sistemas de saúde público e privado.
A posteriori, convém ressaltar a frase do médico Lair Ribeiro sobre a palavra convencer e o exemplo arrastar, visto que, com a tradição de consulta aos mais velhos, a sociedade brasileira tem o hábito da medicação voluntária. Nesse sentido, devido à negligência dos órgãos de saúde em informar acerca dos limites desse tipo de hábito e dos casos em que há recomendação - como a indicação da OMS (Organização Mundial de Saúde) para automedicação em casos de dores crônicas- a prática é consolidada nas gerações seguintes. Por conseguinte, ocorrem diversos efeitos colaterais nos indivíduos, como, novamente, a intoxicação.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução desse impasse. Cabe, portanto, respectivamente, ao Ministério da Cidadania a criação de uma emenda constitucional, por meio da publicação no Diário Oficial, com a descrição detalhada, que limite as informações sobre medicamentos e doenças além das presentes nas bulas e nas recomendações dos profissionais da saúde, a fim de que haja a restrição quanto à busca voluntária por remédios pela população; e ao Ministério da Saúde a promoção de campanhas ,na televisão, que promovam a conscientização sobre medicação mediante consulta de tradições culturais desprovidas de embasamento científico. Assim, o Brasil conterá a automedicação.