Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 30/09/2020
O filósofo francês Jean-Paul Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois ele seria livre e responsável. No entanto, no século XXI, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne ao uso indevido de medicações. Nesse contexto, observa-se uma problemática de contornos específicos, em virtude, da ausência de notificações desses casos e da propagação da desinformação.
Antes de tudo, a falta de denúncias é preocupante. Nesse sentido, a citação de Immanuel Kant de que “o indivíduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal” cabe perfeitamente. Nesse sentido, os indivíduos próximos às pessoas que têm esses hábitos, muitas vezes, omitem-se em relação a essas situações, pois, assim como a maioria dos consumidores desses produtos, consideram essa prática inofensiva e, até mesmo, benéfica.
Ademais, a desinformação presente na questão é notória. Nessa perspectiva, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, a automedicação é responsável por cerca de 20 mil mortes anualmente no país. Dessa forma, esses números demonstram que esse hábito está presente de forma intrínseca no Brasil devido, principalmente, à mídia que, por vezes, espalha notícias falsas e estimula o uso dessas medicações pelas propagandas que transmite.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para amenizarem o quadro atual. Desse modo, o Ministério da Saúde, juntamente ao apoio das entidades escolares, deve, por meio de verbas públicas, promover campanhas não apenas contra a autoadministração de medicamentos, bem como contra a propagação de notícias falsas, tais campanhas seriam feitas em escolas e em meios de comunicação, atingindo, assim, diversas esferas sociais, informando a população sobre os riscos da automedicação e incentivando o ato de denunciar locais que vendem esses produtos indevidamente. Enfim, a partir dessas ações, o indivíduo teria responsabilidade para agir e poder-se-ia aplicar a filosofia de Sartre.