Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 01/10/2020
Segundo a historiografia, nota-se que a prática da automedicação está presente no Brasil desde o período colonial, no qual os remédios eram prescritos por uma pequena parte da população, os chamados “boticários”, sem fundamentos científicos. É possível notar que, mesmo com a passagem dos séculos, essa prática não se erradicou, sendo perceptível o uso indevido de medicamentos prescritos pelos próprios pacientes. Entretanto, é imprescindível que sejam destacados os perigos da automedicação, incentivando a ida aos consultórios para melhores orientações.
Em primeira análise, pode-se destacar o número de vítimas anuais no país em decorrência do uso independente de medicamentos. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), cerca de 20 mil pessoas morrem anualmente em consequência do uso indevido de remédios. Apesar de alguns recursos médicos não causarem danos diretos ao corpo humano, em conjunto com outras substâncias, bebidas, exercícios físicos e certos alimentos, podem levar a diversos danos, tais como dependência, reações alérgicas, intoxicação, e em casos mais graves, a morte.
Ademais, é necessário citar a individualidade exacerbada na qual os seres humanos vivem. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, as relações atuais são caracterizadas pelo egoísmo e individualidade, priorizando o consumo e terceirizando necessidades básicas. Apesar da grande disponibilidade de médicos no país, tanto em clínicas privadas quanto em programas de saúde pública, os indivíduos muitas vezes preferem a realização da prática da automedicação por ser mais fácil e rápida, seguindo a ideia de que, para um consumo saudável, seria necessário marcar uma consulta médica.
Logo, analisando os fatos acima apresentados, é extremamente necessário que o uso independente de medicamentos seja completamente abolido. Para isso, o Ministério da Saúde deveria promover a criação de campanhas públicas que demonstrem os principais perigos dessa prática, por meio da apresentação de palestras, cartazes, propagandas e comerciais. Além disso, é necessário que os farmacêuticos tenham maior controle sobre os clientes, acompanhando os motivos da compra do medicamento e realizando contato com o médico responsável. Dessa forma, seria possível dificultar a compra irresponsável de recursos médicos, aumentando as chances de ações saudáveis entre os seres humanos.