Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 01/10/2020
Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta. Com efeito, percebe-se que a automedicação remete à premissa de Sartre, uma vez que representa uma violência à saúde da população. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar o papel midiático e a inércia governamental.
Nessa perspectiva, é lícito postular que o consumo sem prescrição de medicamentos traz riscos ao indivíduo. De fato, a historiografia comprova que, durante o Renascimento, a imprensa tomou forma e difundiu os ideais dos renascentistas à população. Similarmente, a mídia ainda possui um amplo alcance social – e, portanto, influência – no Brasil. No entanto, as propagandas medicinais que são veiculadas nos meios de comunicação não mencionam os efeitos colaterais que podem surgir com a automedicação, como dependência química, reações alérgicas e intoxicação, além de dificultar o diagnóstico de outras possíveis doenças. Logo, verifica-se que esse cenário perpetua a automedicação e seus males.
Por conseguinte, deve-se avaliar o descaso brasileiro para com a Agenda 2030 das Nações Unidas, que consiste em um conjunto de metas comuns a serem alcançadas pelos 193 países membros da ONU, incluindo o Brasil. Decerto, sabe-se que saúde e bem-estar compõe um dos objetivos da Agenda. Os líderes brasileiros, entretanto, rompem o acordo firmado com as demais nações, visto que negligenciam a criação de políticas públicas para instruir a população acerca dos impactos causados pela automedicação, por exemplo. De fato, essa afirmação é comprovada pelo censo da OMS, que estima que metade do consumo de remédios é feito de forma irracional pelo mundo. Constata-se, assim, um terreno fértil para a permanência da problemática no Brasil.
É imprescindível, portanto, buscar soluções para esse impasse. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde promover seminários instrutivos – ministrados por profissionais de saúde especializados como médicos e enfermeiros – acerca da automedicação. Essa ação deve ser feita por meio de verbas governamentais, com o fito de dialogar com os cidadãos sobre a importância da prescrição médica. Outrossim, urge que ativistas políticos realizem mutirões em vias públicas e em redes sociais, por meio da mobilização popular pacífica. Essa ação objetiva confrontar o descaso das autoridades em relação à falta de comprometimento com as instituições internacionais. Assim sendo, a violência citada por Sartre contra a saúde será erradicada do Brasil.