Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 05/10/2020
Encobrimento de enfermidades. Intoxicação medicamentosa. Sobrecarga renal. Esses são exemplos que caracterizam a questão da automedicação na sociedade, que é um hábito comum a 77% dos brasileiros, de acordo com o CFF, Conselho Federal de Farmácia. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude do imediatismo e da falta de conhecimento.
Segundo Zygmunt Bauman, a liquidez da sociedade moderna se pauta no imediatismo. De acordo com a perspectiva do sociólogo, a velocidade que caracteriza a cultura atual configura-se como um grave problema que atinge diversas áreas da ação humana. A ansiedade em lidar com os sintomas, até então tidos como simples, impulsiona o indivíduo a praticar a automedicação. Porém, por não ter conhecimentos médicos suficientes, é possível ocasionar uma intoxicação medicamentosa, ou até mesmo, mascarar uma patologia mais grave. Ademais, a frequência com que tal ato é consumado, pode inferir numa sobrecarga renal, por exemplo.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de conhecimento por essa parcela social. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre os impactos negativos da automedicação na saúde, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver essa entrave. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde, em parceria com o MEC e os meios midiáticos, devem promover campanhas instrucionais e de grande alcance populacional, acerca dos perigos em praticar a automedicação. Oficinas e palestras em escolas e postos de saúde, ministradas por alunos dos cursos envolvidos nessa área e por profissionais qualificados, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema, são alternativas promissoras para lidar com essa problemática.