Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 10/10/2020

Em 2015, cerca de 500 pessoas foram hospitalizadas no nordeste brasileiro por apresentar sintomas de intoxicação por uso inadequado de medicamentos, segundo dados da plataforma digital G1. Esse fato demonstra a fragilidade do sistema público de saúde, o qual, por falta de investimentos em campanhas capazes de alertar e de conscientizar a população, gera o principal problema do país: desconhecimento acerca da automedicação. Assim, observa-se a necessidade de analisar os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.

A princípio, vale ressaltar o progresso obtido na luta para assegurar o acesso à saúde e à informação. Mário de Andrade, importante poeta brasileiro, afirmava que: “o passado é lição para se meditar, não para se reproduzir”. Tal assertiva faz referência ao período da Revolta da Vacina, quando a ausência de notícias e de orientações sobre a eficácia da vacina contra a epidemia da doença Varíola favoreceu para o surgimento de histeria e de automedicação, ambos considerados fatores do alto índice de mortalidade no período. Por tudo isso, a Constituição de 1988 determinou que todo cidadão não somente tem direito ao atendimento em instituições públicas de saúde, mas também que é dever do governo promover a divulgação de propagandas de caráter informativo sobre a saúde.

Ademais, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados para garantir a segurança do indivíduo. Nesse sentido, semelhante ao ocorrido em 2015, inúmeras pessoas afirmaram ingerir medicamentos sem consultar o médico ou alteram a sua concentração, de acordo com informações divulgadas pelo site O Globo. Isso ocorre devido a ausência de incentivos pelo Ministério da Saúde em gincanas escolares, palestras comunitárias e propagandas midiáticas, capazes de desenvolver uma reflexão a respeito do processo de automedicação. Considera-se essa situação grave, tendo em vista que não investir em projetos de conscientização vai em desencontro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo é proteger todos os brasileiros.

Depreende-se, portanto, que ações contra a automedicação devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Saúde, órgão responsável pelo acesso à saúde pública, deve investir em programas educativos acerca da ingestão de medicamentos, por intermédio de aulas gratuitas em redes sociais e discursos por profissionais de saúde em escolas com participação da comunidade, visando reduzir o número de indivíduos com sintomas de intoxicação por ingestão inadequada de remédio. Somado a isso, cabe ao Ministério da Cidadania tornar possível o surgimento de locais com “mutirões da conscientização” em amplo território nacional, onde a sociedade poderá sanar dúvidas sobre o consumo de medicamentos e a importância da orientação médica.