Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/10/2020
Com a transição da Era Industrial para a Era da Informação, a tecnologia tornou mais fácil e acessível a aproximação do ser humano a diversas áreas do conhecimento, dentre elas, a saúde. Como consequência dessa proximidade, a internet passou a ser um dos caminhos em busca de informações para a solução imediata de doenças consideradas comuns, desencadeando o perigo da automedicação, ou seja, o consumo indevido de remédios sem prescrição. Essa realidade constitui um desafio a ser resolvido não somente pelos poderes públicos, mas também por toda a sociedade.
A princípio, é necessário entender quais fatores contribuem para o automedicamento. De acordo com o estudo do Conselho Federal de Farmácia (CFF), a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros, sustentada conjuntamente pela opinião alheia, baseada em imediatismo. Tal fato pode ser comprovado pela adição da expressão “Google it” aos dicionários, que indica a marca da busca acessível e rápida das informações, nesse caso, acerca das doenças. Não obstante, a precariedade do sistema de saúde e a variedade de produtos apresentados pela indústria farmacêutica, que podem ser muitas vezes obtidos sem prescrição, afastam o indivíduo de buscar uma ajuda profissional.
Por conseguinte, o consumo inadequado e exagerado de remédios pode se transformar um simples medicamento em uma substância tóxica e perigosa. Segundo a ANVISA, os analgésicos, anti-inflamatórios e antitérmicos são os remédios que mais causam intoxicação, e esses, de fácil acesso, podem causar sérios danos ao usuário, incluindo a morte. O desenvolvimento de bactérias resistentes pelo uso inadequado de medicamentos pode dificultar o monitoramento de doenças como diabetes e hipertensão, que se, não tratadas, podem ter consequências gravíssimas.
Diante o exposto, devem ser criadas medidas que visam controlar a automedicação. Cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, promover campanhas publicitárias que visem a conscientização do consumidor acerca dos perigos da automedicação, de modo a diminuir a incidência dessa prática. Além disso, investir na infraestrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), para que este possa lidar com a demanda de pacientes em sua totalidade, de modo que os mesmos não busquem novas alternativas de cuidado. Assim, torna-se possível caminhar para a construção do progresso e de uma sociedade atenta à saúde.