Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 14/10/2020
Ato de automedicar-se foi amplamente visível no final da Idade Média, época das Grandes Navegações, em que os viajantes, sem acesso médico, levavam plantas medicinais em suas viagens. Contudo, atualmente, a automedicação persiste no cenário brasileiro, fato que acarreta preocupações no que tange a saúde dos cidadãos. Dessa forma, tanto o uso irracional e irresponsável dos medicamentos, quanto o fácil acesso e as irregularidades nas vendas dos remédios, são assuntos pertinentes na contemporaneidade.
Em primeira análise, vale pontuar que a automedicação consciente e responsável é benéfica para a economia dos indivíduos e evita superlotação nos hospitais. Entretanto, a pesquisa “O Comportamento da Dor do Paulista”, realizada em 2014 pelo Instituto de Pesquisa Hibou, identificou que o brasileiro da Região Sudeste é o que mais se automedica de forma indiscriminada e sem medo das consequências, apenas 8% dos entrevistados nunca se automedicaram. Desse modo, é notório a imprudência dos enfermos no ato de automedicar-se, fato que acarreta problemas graves de saúde, a exemplo da intoxicação.
Em segunda análise, a livre comercialização de remédios, de forma inadequada, aumenta o consumo irracional e suas consequências na saúde dos brasileiros. Ademais, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que, em todo o mundo, mais de 50% de todos os medicamentos receitados são dispensáveis ou vendidos de forma inadequada. Dessa maneira, a facilidade em adquirir medicamentos ocasiona, junto à desinformação, em complicações no diagnóstico médico e, consequentemente, no bem-estar do cidadão.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Nesse sentido, para a conscientização da população a respeito do problema, urge que os Ministérios da Saúde e Educação, realizem ações educativas, por meio de projetos, fóruns e debates nos centros hospitalares e instituições de ensino, a fim de conscientizar a população sobre a importância da prescrição médica e uso racional e responsável dos medicamentos. Além disso, cabe ao Governo, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), expandir a fiscalização e investigação nas vendas dos remédios, mediante maior contratação de agentes, com o fito de obter um maior controle na comercialização dos medicamentos e reduzir as compras imprudentes. Dessa forma, essa problemática será limitada apenas nos livros de história.