Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 22/10/2020

O documentário norte-americano “Take your pills”, lançado em 2018, explicita a problemática da sociedade contemporânea em administrar o consumo de fármacos sem receituário médico. Nesse contexto, nota-se que, análogo ao documentário, a prática da automedicação está enraizada na população brasileira, uma vez que a experiência de se automedicar proporciona uma maior comodidade em relação a seguir o protocolo médico. Em vista disso, faz-se necessário entender o que motiva essa questão, bem como as consequências que traz para os indivíduos.

Em primeiro plano, é preciso perceber a facilidade de acesso aos medicamentos como potencializadora da problemática. Isso ocorre porque o monitoramento precário, causado pela ausência de controle sobre os remédios e a fiscalização deficiente, abre brechas para a compra de remédios sem a necessidade da receita médica. Relaciona-se essa condição com a teoria “Instituição Zumbi”, cunhada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, na qual disserta que na sociedade há a existência de um Estado que mantém sua forma, mas não cumpre sua função social, que seria nesse contexto, a promoção de uma saúde de qualidade por meio do controle dos medicamentos.

Nota-se, ainda, os diversos efeitos ocasionados pelo problemática. Tal fato está relacionado ao uso indevido da medicação, que proporciona um alívio imediato, porém, acarreta uma série de efeitos colaterais para os indivíduos, caracterizando-se como um problema de saúde pública no país. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINTOX), em 2003, os medicamentos foram responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação. Em vista disso, o manejo de remédios utilizado de maneira incorreta ou irracional pode trazer, ainda, consequências como: reações alérgicas, dependência e até a morte.

A fim de atenuar o impasse, faz-se necessário que ações sejam tomadas. Urge-se que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adote medidas de combate à automedicação por intermédio da criação de equipes de fiscalização e monitoramento, que atuem nas farmácias com maior rigorosidade, como a aplicação de multas e punições adequadas aos estabelecimentos ilegais. Isso deve ser feito com o objetivo de incentivar o uso racional dos medicamentos no Brasil, evitando que as pessoas tomem remédios por conta própria ao sinal de qualquer dor ou incômodo. Assim, gradualmente, a prática estará cada vez mais restrita e deixará de ser um problema de saúde pública.