Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 15/10/2020
“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente ao consumo indiscriminado de medicamentos, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois o diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, a automedicação está presente no cotidiano dos indivíduos, todavia, os malefícios para a saúde provenientes dessa prática são inúmeros, já que a venda de remédios tem sido banalizada.
Em primeira análise, convém frisar a extrema importância de destacar o quanto a indústria farmacêutica tem proporcionado inúmeros benefícios para a sociedade, principalmente devido ao amplo acesso a medicamentos. Contudo, apesar dessas vantagens, no contexto atual, são muitos os que utilizam dessas regalias de maneira incorreta, já que fazem o uso indiscriminado de remédios, de modo a comprometer negativamente a saúde delas. Sob essa ótica, segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos e naturalizados. Em virtude disso, é extremamente comum a prática da automedicação, posto que são vendidos em farmácias, por isso são facilitadoras de acesso, entretanto, o uso de remédios de maneira incorreta ou irracional pode trazer, ainda, consequências como as reações alérgicas, dependência e até a morte.
Ademais, os malefícios para a saúde são inúmeros e evidentes. Nessa lógica, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de dez por cento das internações são ocasionadas pela automedicação errônea, haja vista a facilidade com que os medicamentos são encontrados. Sendo assim, por meio de sites de busca na internet e aplicativos relacionados a enfermidades, tem tornado banalizada a compra de remédios, uma vez que estes contribuem para o comodismo e até mesmo diagnósticos equivocados. Nesse viés, a incidência crescente por fármacos sem prescrição médica, e ao relacionar-se aos antibióticos, induz largamente ao consumo, e em casos exagerados, ocasionam intoxicações.
Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe a ANVISA, o papel primordial de fiscalizarem a venda de medicamentos nas drogarias, juntamente com o apoio dos setores midiáticos, por meio de canais de ampla visibilidade, e com grande audiência, as quais informem a sociedade sobre os malefícios do uso indiscriminado de remédios, de modo a mobilizar a população, a partir de profissionais renomados, como o Dr. Dráuzio Varella, para que assim haja uma ampla mobilização, a fim de transmudar esse cenário da automedicação irregular.