Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 15/10/2020
“A saúde é direito de todos e dever do estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”. Tal citação trata-se de um trecho da Constituição Brasileira. Embora o trecho discuta a saúde pública, fora dele, a realidade brasileira demonstra sua face mais alienada e imprudente no que tange à automedicação, especialmente em tempos de pandemia. Nessa perspectiva, percebe-se que o temor ao vírus elevou o uso incorreto dos medicamentos, em virtude de Fake News e da ineficiência estatal.
Primeiramente, é válido ressaltar que o principal obstáculo para o uso adequado dos medicamentos, durante a pandemia, são as informações falsas acerca de remédios e receitas caseiras. Um notável exemplo, é o uso imprudente do remédio Hidroxicloroquina para tratar e prevenir pacientes por Covid-19, contudo, o remédio não tem uma comprovação científica de sua eficácia, além de poder causar problemas no coração. Desse modo, o uso incorreto de medicamentos pode trazer mais malefícios do que a recuperação da doença.
Além disso, um outro fator a ser discutido acerca do problema é a falta de rigor nas fiscalizações em farmácias por parte do Estado, visto que para a população há uma enorme facilidade de acessar medicamentos potencialmente perigosos, já que muitas vezes são vendidos sem a necessidade de apresentar receitas médicas. A Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), apresentou dados que apontam que a automedicação mata cerca de 20 mil pessoas por ano. Portanto, a ingestão errada de medicamentos pode causar reações adversas graves, além de ser a principal causa de intoxicações no país.
Levando em consideração esses aspectos, é possível concluir que o pânico ao Vírus Covid-19 intensificou a automedicação, que hoje se transforma em um problema de saúde pública, que pode causar sérios danos na vida do indivíduo, medidas devem ser tomadas a fim de reverter a situação. Recai ao Estado por meio do Ministério da Saúde, elaborar campanhas a fim de orientar os perigos da automedicação, além de estimular investimentos na ANVISA, por consequência, aprimorar a estrutura de fiscalização às drogarias de todo o País, por meio de multas mais altas como penalidade. Por outro lado, a Mídia tem um papel essencial nesse processo, o dever de incentivar a população a ser contra a disseminação de notícias falsas e serem mais responsáveis com o que divulgam. Em suma, com o uso meticuloso e racional de fármacos não haverá mais altos índices de problemas e mortes causados pela automedicação.