Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 19/10/2020

Na revolta da vacina, a população se manifestou contra a aplicação da vacina da varíola, medida que tinha o objetivo de prevenir a todos do vírus e erradicá-lo. Nesse sentido, tal episódio se assemelha com a situação hodierna da automedicação, em que a desinformação dos indivíduos no tratamento de doenças, juntamente com a precariedade do sistema de saúde brasileiro, tornam o uso incorreto dos medicamentos como um problema de saúde pública.

De início, a falta de criticidade da sociedade acerca da informação que lhe é recebida, leva a ingestão dos remédios sem o aval do médico. Isso, consoante o sociólogo polonês Zygmund Bauman, " nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar, pode esperar respostas para os problemas".Sendo assim, a facilidade de obtenção de conhecimento por meio da internet leva diversos internautas a usarem o meio como guia no combate a doenças. Dessa forma, o uso inadequado dos remédios devido a vastidão de fake news na rede pode ocasionar efeitos colaterais graves ao organismo humano, como a intoxicação e reações alérgicas.

Em segundo plano, é notório a má gestão hospitalar nos postos de saúde do país. De acordo com o conselho federal de medicina, a saúde privada possui mais médicos que a pública,contudo atende apenas 25% da população.Sob tal ótica, diversas pessoas doentes se submetem ao autodianóstico devido a pouca oferta ou até mesmo ausência de médicos,gerando longas filas nos hospitais. Por conseguinte, os pacientes, ao utilizar essas drogas, podem gerar uma resistência dos patógenos a elas.

Logo, cabe ao MEC, através de palestras nas escolas e de campanhas nos diversos meios, conscientizar a população da necessidade de buscar um médico para tratar doenças, frisando os perigos da automedicação. Ademais, urge que o Ministério da Saúde, por meio de verbas govenamentais, estimule os profssionais da saúde a trabalharem no SUS, com salários atrativos e equipamentos adequados a todos.