Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/11/2020
Em 2020, o pânico ocasionado pela pandemia do novo coronavírus suscitou o surgimento de falsas notícias e informações científicas acerca da eficiência de medicamentos no combate aos efeitos do vírus. Esse contexto colaborou para a popularização do consumo de medicamentos sem a busca de prescrição médica prévia. O problema da automedicação agravado pela crise pandêmica é sustentado por diversos aspectos típicos do mundo contemporâneo, e, contrariamente ao ponto de vista de quem adquire esse hábito, pode danificar a saúde do indivíduo ao passo que este pensa ser beneficiado.
Em primeiro plano, é válido pontuar que um dos principais agravantes do problema supramencionado é a facilidade de acesso à informação propiciada pelas tecnologias de comunicação contemporâneas. Isso porque efetuar uma pesquisa na internet acerca dos efeitos de determinado medicamento, por ser uma alternativa com efeitos imediatos, acaba, muitas vezes, por prescindir a consulta médica. O documentário “Take your pills” aborda essa questão ao exibir depoimentos de jovens que, com o auxílio do acesso à internet, entraram em contato com recomendações de determinado medicamento e passaram a consumi-lo sem a prescrição de um profissional. Apesar de as ferramentas informacionais modernas colaborarem para a difusão de informações benéficas à manutenção da saúde, o extenso número de fontes e usuários complexifica a apuração da veracidade dos dados disponibilizados e ergue uma grande possibilidade do contato com informações sem fundamento biológico.
Em segundo plano, pode-se citar como outro agravante da automedicação a pressão psicológica e o estresse inerentes à rotina de muitos indivíduos no mundo contemporâneo, com destaque para a população jovem. No documentário mencionado anteriormente, a maior parte dos jovens entrevistados afirma recorrer à automedicação com vistas a melhorar aspectos relacionados ao desempenho acadêmico, tais como o foco e o autocontrole. Em adição, pode-se traçar um paralelo entre esse fator e o contexto da atual pandemia, na qual a automedicação se popularizou não apenas pelo medo da contaminação pelo vírus, mas também como ação de combate ao estresse ocasionado por esse medo. Embora apresente eficiência inicialmente, o tratamento de problemas de ordem psicológica por meio da automedicação tem grande probabilidade de agravar o estado de saúde individual.
Portanto, torna-se essencial que os órgãos governamentais responsáveis pela manutenção da saúde em cada país promovam a conscientização sobre os riscos da autoprescrição de medicamentos. Tal objetivo pode ser efetivado por meio de campanhas e discussões públicas divulgadas em fóruns de notícias e redes sociais. Dessa forma, será possível evitar que, principalmente em uma situação emergencial como a crise pandêmica atual, a automedicação seja uma ameaça à saúde pública.