Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 26/10/2020
A teoria do habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, afirma que a sociedade incorpora as estruturas sociais impostas à sua realidade e depois as reproduz ao longo das gerações. Na época do Brasil colônia, a saúde era pautada no misticismo, no qual existiam benzedeiras que eram destinadas a curar doentes por meio de preces a uma divindade e a prática do costume da automedicação por meio de conhecimentos populares, utilizando chás, caldos, ervas, “banhos” e simpatias. Analogamente, essa prática da automedicação no século XXI, advindas da herança colonial,ainda persiste e gera graves consequências para as pessoas, como: intoxicação, reações alérgicas, resistência a medicamentos, podendo levar até a morte.
Em primeiro plano, de acordo com o artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é direito de todos e dever do Estado garantir acesso universal e igualitário à todos. Porém na prática, de acordo com a OMS, metade da população mundial não tem acesso a serviços essenciais de saúde e entre os que têm acesso, ao menos 100 milhões de pessoas no mundo entram na pobreza por conta de gastos médicos. Nessa perspectiva, com o sistema de saúde pouco estruturado, a ida à farmácia acaba sendo uma alternativa mais mais rápida e acessível economicamente.
Além disso, muitos indivíduos pressupõem que não é necessário um serviço médico para algumas manifestações de doença ou pesquisam remédios na internet com o fim de aliviar alguns sintomas, como é retratado pela coordenadora do Centro de Estudo do Medicamento da Faculdade de Farmácia da UFMG, Cristiane Menezes, que afirma que a automedicação ocorre devido ao desejo do alívio imediato da dor. Porém,com o uso não consciente do medicamento, as pessoas podem adquirir graves problemas, como reações alérgicas, diarreia, tonturas, enjoos, dependência física e psicológica e intoxicação, segundo o Portal Puc Minas. Ainda por cima, podem levar à morte, como aconteceu com um americano do Estado do Arizona que morreu após se automedicar com o uso da Cloroquina usada em limpeza de aquário para tentar não contrair Corona Vírus.
Portanto, conclui-se que para que essa herança colonial da automedicação seja pelo menos minimizada, políticas públicas devem ser tomadas, como:ressaltar nas propagandas dos remédios, além da alerta no final de que se os sintomas persistirem um médico deve ser consultado, como usar cada medicamento e ter consciência dos efeitos que ele poderá causar se usado sem necessidade ou de modo errado. Além de programas de orientação para profissionais de saúde, farmacêuticos, balconistas e estímulo a fiscalização apropriada.