Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 27/10/2020
Na época das grandes navegações, o ato de automedicar-se era muito comum, por causa da falta de acesso aos médicos, em que os marinheiros utilizavam seus conhecimentos para tentar solucionar seus problemas (como o escorbuto, por exemplo). Porém, no Brasil do século XXI, essa prática ainda é recorrente devido, principalmente, à defasagem do sistema de saúde. Dessa forma, é necessário debater sobre dois pontos importantes: a automedicação responsável e seus riscos.
Inicialmente, é importante reconhecer o valor da automedicação de forma prudente. Isso se justifica pela precariedade do sistema de saúde de países pouco desenvolvidos, como o Brasil, com falta de profissionais e filas de atendimento enormes, os quais dificultam o acesso da população à consulta médica. Segundo a OMS ( Organização Mundial da Saúde), a automedicação responsável é benéfica, pois problemas mais simples, como um resfriado, podem ser tratados em casa, desde que já tenha obtido uma orientação previa de um médico. Consequentemente, essa prática ajuda a evitar o sobrecarregamento dos hospitais.
No entanto, é válido ressaltar os perigos da automedicação. Para o médico do século XVI Paracelso, “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”. Essa frase, na realidade do século XXI, explica os riscos de uma possível superdosagem, ou pela falta da consciência sobre os possíveis efeitos colaterais, decorrente da aplicação de um medicamento em casa. De acordo com os dados da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), a automedicação causa cerca de vinte mil mortes por ano no Brasil. Por conseguinte, é necessário haver uma maior atenção por parte do poder público para alertar a população sobre a utilização de medicamentos sem o aval de um profissional da saúde.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas as quais solucionem o impasse da prática da automedicação. Logo, urge ao governo federal, em parceria com a mídia e o Ministério da Saúde, o dever de informar a população a respeito da importância de consultar o médico antes de usar um medicamento. Então, essa ação poderá ser feita por meio de entrevistas com médicos e farmacêuticos, veiculados nos meios de comunicação (televisão, rádio e internet), sobre os perigos da automedicação com instruções acerca de atitudes que devem ser tomadas para utilizar um medicamento de forma responsável. Dessa forma, com a prática prudente de automedicar-se não haverão tantos casos de morte, além de ajudar o sistema de saúde a não superlotar