Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 23/10/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Cidadã garante o direito à saúde pública de qualidade. No entanto, apesar de existir o acesso gratuito ao sistema clínico, observa-se um problema salutar no que tange aos desafios para a redução da automedicação no Brasil. Com isso, ponderar sobre a elitização histórica da educação e o contexto social consumista frente à problemática é medida que se faz necessária, a fim de que o entrave seja solucionado.
Em primeiro lugar, é fulcral salientar que a elitização da educação brasileira é um fator que intensifica a autorremediação populacional. Nesse contexto, de acordo com o livro ‘’1808’’, do escritor brasileiro Laurentino Gomes, a criação da primeira universidade de medicina no Brasil foi no ano 1809, de caráter privado às elites econômicas da época. Dessa maneira, por existir essa segregação no meio acadêmico, consequentemente, a cultura de ingestão de remédios sem o acompanhamento e/ou aconselhamento médico tornou-se popular. Assim, faz-se necessária a mudança do paradigma salutar nacional, para tornar o conhecimento mais próximo da comunidade e evitar o uso indiscriminado de drogas lícitas.
Em segundo lugar, vale destacar que o intenso consumo de medicamentos está atrelado ao fenômeno social hodierno denominado ‘’Modernidade Líquida’’. Nessa ótica, segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, o século XXI valoriza os prazeres efêmeros, com a mínima perspectiva sobre as consequências futuras. Mediante a isso, percebe-se a concretização dessa teoria, uma vez que, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aproximadamente 50% das drogas vendidas nas farmácias têm efeito passageiro, como analgésicos. Tendo esses fatos em evidência, é nítido que a automedicação continuará na realidade brasileira, porquanto o Estado não age em prol de uma solução.
Destarte, cabe ao Ministério da Educação (MEC) ações educativas, a fim de reduzir o uso indiscriminado de fármacos. Desse modo, o MEC tem o dever de aproximar o conhecimento e/ou acompanhamento do médico com a população, por meio de campanhas televisivas, as quais demonstrem a disponibilidade da assistência médica gratuita nos postos de saúde públicos. Além disso, o Ministério da Saúde deve garantir a disponibilidade de acesso aos profissionais da saúde no território nacional, por meio da criação de mais centros de saúde nas regiões em que essa infraestrutura é ausente.