Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 26/10/2020
A frase “Ao persistirem os sintomas, o médico deve ser consultado”, presente em diversos comerciais de medicamentos, consiste numa recomendação realizada pelo Ministério da Saúde. Entretanto, apesar da orientação indicada visar a prevenção de doenças, tal advertência é problemática, uma vez que induz o indivíduo a se automedicar e buscar um médico apenas se ocorrer algum problema relacionado ao mau funcionamento da substância no organismo. Dessa maneira, o aumento do uso de remédios sem prescrição médica está relacionado à falta de instrução sobre os riscos dessa automedicação e ao uso indiscriminado da internet como meio de obter um diagnóstico precoce, o qual pode trazer graves consequências à saúde do indivíduo.
Nesse contexto, cabe ressaltar que o avanço da Medicina, impulsionado pela Primeira Revolução Industrial, proporcionou a invenção de inúmeros medicamentos, os quais contribuíram para o tratamento de enfermidades. Por outro lado, embora os benefícios proporcionados por essas substâncias, a utilização delas sem um conhecimento prévio e de modo autônomo pode causar reações alérgicas, intoxicação e, em casos mais graves, dependência. Dessa forma, é válido destacar que, de acordo com um estudo realizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), 8 a cada 10 brasileiros se automedicam, evidenciando que a ausência de divulgação de informações sobre os efeitos colaterais da automedicação é um fator que corrobora para que o cenário permaneça instável e nenhuma ação seja realizada.
Ademais, os meios de comunicação revolucionaram a dinâmica da sociedade e facilitaram a rotina das pessoas. Nesse sentido, a internet se tornou uma “ferramenta” de busca por respostas para variados problemas relacionados à vida pessoal, economia e saúde. Todavia, ao invés dessa pesquisa auxiliar os indivíduos na descoberta de possíveis doenças, ela pode ser prejudicial e apresentar um diagnóstico equivocado e indicar o uso de determinados remédios, os quais podem agravar o quadro apresentado. Por isso, é de extrema importância que profissionais e especialistas da área da saúde sejam consultados para que um tratamento adequado seja realizado.
Portanto, a automedicação na contemporaneidade deve ser debatida e discutida. Logo, o Ministério da Saúde deve criar campanhas que abordarão os malefícios do uso de medicamentos sem prescrição médica para a população. Outrossim, isso ocorrerá por meio de propagandas, as quais irão apresentar, de modo objetivo e interativo, recomendações de médicos acerca de tal assunto. Destarte, elas serão transmitidas diariamente nos canais de televisão aberta com o intuito de reforçar os efeitos da utilização irresponsável e inadequada de remédios, instruindo o corpo social sobre os cuidados necessários.