Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 27/10/2020
Durante a Segunda Guerra Mundial, os estudos farmacêuticos se desenvolveram rapidamente devido ao grande número de feridos e a alta demanda por medicamentos. Atualmente, entretanto, eles são usados de forma indiscriminada e sem prescrição médica, o que causa inúmeros danos. Esse imbróglio é reforçado pelo autodiagnóstico e facilidade em obter medicamentos e tem como consequência danos à saúde pública.
Em primeiro lugar, é necessário abordar as causas da automedicação. De acordo com a Teoria do Habitus do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nesse viés, um dos padrões vigentes na sociedade hodierna é a cultura de autodiagnóstico através da internet. É comum, por exemplo, que após alguns sintomas, as pessoas recorram ao Google para obter informações e encontrem recomendações de remédios e tratamentos. Desta maneira, os indivíduos buscam os medicamentos em drogarias, para aqueles que não necessitam de uma receita médica e por amigos e familiares para aqueles que exigem.
Outrossim, destacam-se os danos à saúde pública causados pela automedicação. Em seu livro A Origem das Espécies, Charles Darwin elaborou a teoria da Seleção Natural, em que os indivíduos mais aptos sobrevivem e geram descendentes adaptados. Dessa maneira, a automedicação contribui para a resistência de bactérias a antibióticos, pois ao serem frequentemente expostas a diversos medicamentos, as bactérias resistentes sobrevivem e reproduzem, gerando as superbactérias. Sendo assim, uma pessoa que faz uso de remédios sem orientação médica pode contribuir para o surgimento de doenças fatais. É evidente, portanto, que o uso de drogas sem receita médica pode causar danos não só ao próprio indivíduo, como a outras pessoas. Porém, apesar da cultura de automedicação ser um hábito enraízado na sociedade, ela é mutável e está em constante evolução.
Destarte, é mister que atitudes sejam tomadas para reduzir o uso de medicamentos sem prescrição médica. O Estado, por meio do Ministério da Saúde e em conjunto com a mídia, deve trabalhar em campanhas de combate à automedicação nos meios de comunicação como televisão, internet e rádio, com o alerta sobre os danos que o uso indevido de remédios pode causar, visando reduzir o número de pessoas que fazem o autodiagnóstico. Desta forma, a sociedade dará um passo a frente no combate à automedicação.