Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/12/2020

No documentário “Take your pills”, é retratado o grande uso de remédios estimulantes para o alto rendimento nas atividades cotidianas. A obra representa apenas um dos motivos da automedicação no mundo contemporâneo. Isso decorre do fato de que tomar medicamentos por conta própria se tornou um hábito na busca pelos mais diversos resultados, entre eles o alívio de dores e a cura de resfriados.  Apesar da comprovação pela ciência de seus perigos, como reações alérgicas ou maior resistência a microrganismos, o uso dessas substâncias é uma tendência crescente na sociedade atual. Tal problemática persiste por raízes sociais e informacionais.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o fato de essa prática ter se transformado em um costume faz com que seja difícil de desvincular dela. Dessa forma, os indivíduos permanecem consumindo remédios sem acompanhamento médico, em um ciclo vicioso que tende a aumentar, não somente no sentido de abranger novas pessoas, mas também acerca da ingestão em maior frequência e quantidade. Nesse âmbito, segundo dados do CFF (Conselho Federal de Farmácia), isso é um hábito comum a 77% dos brasileiros. Tal porcentagem comprova a enorme dimensão dessa realidade e mostra que é algo muito comum na nação.

Além disso, outro fator a ser considerado é a falta de percepção pelos cidadãos das consequências dessa atitude. Por conta da falta de informação acerca dos riscos desse comportamento, eles pensam ser algo banal, que não provoca malefícios. Nesse contexto, segundo Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir quando entender o contexto em que está inserido. Dessa maneira, ao não ter conhecimento de sua nocividade, os consumidores persistem no uso dos medicamentos sem a autorização de profissionais capacitados. Por conseguinte, de acordo com o Blog da Saúde, acabam tendo efeitos colaterais indesejados, que podem até mesmo levar à morte.

Observa-se, portanto, que as razões de ordem social e informacional dificultam o combate às consequências da automedicação no século XXI. Destarte, medidas são necessárias. É papel da mídia, como principal influenciadora de massas, alertar a população, por intermédio de campanhas nas redes de televisão e na internet, a fim de que o uso de medicamentos sem acompanhamento de profissionais diminua. Esses instrumentos midiáticos devem abordar os perigos que a prática ocasiona e passar instruções sobre quando ela pode ser efetivada (por exemplo, em situações simples, com remédios conhecidos e confiáveis e sem exagero) e quando é preciso procurar um médico (como em quadros complicados ou caso os sintomas persistam). Com essas ações, será possível formar uma sociedade mais racional, cuidadosa e, por conseguinte, mais saudável.