Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 03/11/2020

O documentário “Take your pills”, produzido pela Netflix, retrata o consumo de medicamentos para potencializar diversas funções do corpo humano, como a possibilidade de poder estudar por mais tempo e manter a concentração, mas essa prática demonstra várias consequências. Nesse contexto, percebe-se que consumir remédio sem orientação médica faz-se presente em todo território brasileiro. Nesse âmbito, pode-se analisar que a ingestão indiscriminada de medicamentos pode acarretar problemas relacionados a dependência química e o mascaramento de doenças.

Inicialmente, é importante ressaltar que o uso recorrente de medicação pode ocasionar a dependência química. A exemplo disso,  morte do cantor norte-americano, Michael Jackson, o qual vincula seu óbito ao consumo de diversos remédios em que foi contestado um desenvolvimento de um certo vício a esses produtos, o que gerou uma parada cardíaca devido ao abuso dessas substâncias. Analogamente, tal fato foi evidenciado no documentário “Take your pills”, em que o produtor revela que nesses medicamentos existem diversas substâncias capazes de desencadear à farmacodepedência, por exemplo os farmácos psicotrópicos, como os benzodiapínicos. Consequentemente, os indivíduos são submetidos a essa forma de resistência aos medicamentos em razão de não possuírem, na maioria das vezes, uma orientação adequada.

Ademais, é imperativo pontuar que o uso inadequado de medicamentos impulsiona o mascaramento de doenças na sociedade. Tendo como exemplo disso, a declaração do médico, Oswaldo Fortini, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, o qual afirma que, as pessoas surgem com uma dor no estômago e começa o tratamento com algum medicamento sem consultar um profissional e aquela patologia pode ser por exemplo, uma apendicite. Isso acontece, devido a inserção do indivíduo em um capitalismo globalizante, em que é pautado o imediatismo da sociedade, o que faz com que as pessoas se automediquem em face da morosidade para conseguir um atendimento médico. Com isso, há um aumento exponencial de doenças que poderiam ser tratadas com o auxílio adequado dos profissionais da saúde.

Portanto, é notório que a automedicação no país está relacionada à dependência química e ao mascaramento de algumas patologias. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o Conselho Federal de Farmácia, promover campanhas informativas sobre o uso abusivo de medicamentos, por meio da declaração de profissionais formadores de opiniões, especialmente, o médico Drauzio Varella, que irá orientar as pessoas sobre o risco dessa prática, a fim de alertar a população sobre os perigos do uso indiscriminado de rémedios.