Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 04/11/2020
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, visto que é livre e responsável. No entanto, observa-se a irresponsabilidade do corpo social no que tange ao uso de medicamentos por conta própria. Esse cenário antagônico é fruto tanto do incentivo social, que desperta interesse em outras pessoas na utilização de remédios práticos e com rápida eficácia , quanto da má influencia midiática, a qual promove os produtos farmacêuticos em constantes anúncios.
Em abordagem inicial, vê-se que os círculos sociais fomentam o quadro de automedicação na sociedade contemporânea. Nesse sentido, ganha voz o pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, o qual defendeu que o homem é produto do meio em que vive. Na esteira dessa ideia, o fato de determinado medicamento ter surtido efeito em boa parte dos indivíduos de um grupo social faz com que haja desejo em outras pessoas na utilização de remédios sem prescrição médica. Assim, fica claro que o uso de fármacos de forma indiscriminada é motivada por grupos de cidadãos que estão interconectados e que compartilham de costumes semelhantes.
Além disso, o atual cenário de automedicação possui responsabilidade das empresas midiáticas, as quais influenciam diretamente na compra de medicamentos. Segundo o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. De maneira análoga, nota-se que a mídia corrobora negativamente para o aumento do número de pessoas que se automedicam, pois há propagandas massivas de determinados medicamentos. Logo, o desenfreado número de anúncios promovidos pela mídia configura-se como um problema, visto que a preocupação com a saúde do corpo social contrasta com tímidas campanhas que orientem acerca do risco da automedicação.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem mitigar a prática da utilização de remédios por conta própria. A priori, compete ao Ministério das Comunicações, em parceria com as empresas midiáticas, a elaboração de propagandas orientadoras acerca dos perigos da automedicação sem acompanhamento adequado. Simultaneamente, a divulgação será realizada por meio dos veículos midiáticos (televisão,jornais, revistas), com o objetivo de criar uma sociedade mais responsável que priorize orientação médica. Feitas essas ações, é esperado um novo cenário na utilização de fármacos de forma adequada e consciente.