Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/12/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra até o topo de uma montanha, porém, toda vez que estava quase alcançando o objetivo, a rocha rolava morro abaixo por meio de uma força irresistível. Fora da ficção, hodiernamente, a automedicação pode ser comparada à rocha de Sísifo, pois, quando há uma tentativa de reduzí-la, ela sofre a ação de forças contrárias, como o sucateamento do serviço de saúde no Brasil e, por consequência da ingestão abusiva de remédios sem orientação médica, o aparecimento de bactérias super-resistentes.
Primeiramente, é importante destacar que as deficiências do sistema de saúde brasileiro contribuem para a prática da automedicação. De acordo com pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), no ano de 2018, 90% dos brasileiros consideram a saúde pública péssima, ruim ou regular. Nesse sentido, isso acontece devido à baixa qualidade de atendimento e ao elevado tempo de espera, fazendo com que muitos indivíduos deixem de procurar ajuda profissional e, consequentemente, optem pelo consumo de medicamentos por conta própria. Desse modo, a fragilidade do esquema de saúde brasileiro expõe a população aos riscos da automedicação.
Por conseguinte, o aumento da ingestão de fármacos sem supervisão especializada colabora para o surgimento de superbactérias. Segundo poeta Paulo Neruda: “Você é livre para fazer as suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. Sob essa ótica, percebe-se que o hábito da automedicação praticado pela sociedade atual, apesar de trazer benefícios momentâneos, pode acarretar em impasses maiores no futuro, como a eclosão de superbactérias, as quais são resistentes a várias categorias de antibióticos, dificultando o tratamento de diversas doenças. Dessa forma, a população ficará refém dos resultados obtidos pela escolha do ato de se automedicar.
Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Assim, é mister que o Governo Federal, por meio de verbas governamentais destinadas à saúde, invista nas infraestruturas hospitalares. Isso deve ser feito com o apoio do Conselho Federal de Medicina, que irá encaminhar o dinheiro para a contratação e qualificação de profissionais, com intuito de aumentar a rapidez e a qualidade do atendimento, tendo como resultado, a redução da automedicação e a não proliferação de bactérias super-resistentes.