Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/11/2020
O livro “Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, retrata uma sociedade em que a vida trata-se de uma performance e todos os indivíduos buscam oferecer o melhor “show” uns aos outros. Fora da ficção, o ser humano tem o hábito de sempre se apresentar perante a sociedade da melhor forma possível, mesmo que para isso seja necessário o uso de remédios que possam garantir, mais vitalidade, por exemplo. Dessa forma, a falta de instrução e o uso de medicamentos que “elevam” o desempenho são fatores que dificultam ações para o uso racional de medicamentos.
Em primeiro plano, pode-se perceber a ausência de orientações como impasse à consolidação de uma solução. De acordo com Jürgen Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa ótica, torna-se essencial debater, nas escolas, o uso consciente de medicação, pois se o indivíduo passa a ter informação segura e confiável sobre um fato ele entende os riscos, como a intoxicação, que entre os anos de 2010 e 2015 ocorreu 60 mil vezes, segundo o Ministério da Saúde, e evita situações semelhantes. Nessa perspectiva, observa-se, de forma imprescindível, que é preciso viabilizar ações que ensinem os cidadãos.
Ademais, o desvio de função sofrido pelos remédios é um fator fundamental para persistência do problema. No programa “Sam e Cat”, a personagem Cat precisa estudar para uma prova importante, desse modo, ela decide utilizar uma droga lícita capaz de deixá-la mais concentrada, fato que posteriormente acarreta nela perda de memória. De maneira análoga, a série demonstra chamadas medicações de “performance”, onde jovens se utilizam dessas substâncias para poder dar conta de todos os afazeres da vida contemporânea, como a faculdade e o trabalho, porém, ao invés de benefícios ocorrem malefícios, porque esses elementos não foram projetados para servir a esse propósito, deixando sequelas, exemplo de um possível dependência, conforme o portal “Tua Saúde”. Destarte, verifica-se uma complexa problemática, que só poderá ser sanada com ação do Poder Público. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação e o da Saúde hajam em parceria, promovendo eventos e palestras, além de ampliar os preexistentes, por meio de onde coração nas redes sociais nas instituições públicas para aumentar o conhecimento a respeito do tema, em que será possível entender os danos causados pelos remédios com apoio de médicos voluntários. Feito isso, haverá uma ampliação do senso crítico populacional, para, assim, verdadeiramente viabilizar ações que promovam o bem-estar no Brasil.