Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 01/12/2020

Em 2015, cerca de 63% da população brasileira afirmou que já ingeriu medicamentos sem a orientação médica, segundo dados da plataforma digital G1. Esse fato demonstra a fragilidade do sistema público, a qual, por falta de investimentos em programas educativos capazes de reeducar as pessoas sobre a indiscriminação do uso de remédios, gera o principal problema do país: surgimento das superbactérias. Assim, observa-se a necessidade de analisar os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.

A princípio, vale ressaltar o progresso obtido na luta para garantir o acesso à saúde. Nesse sentido, Mário de Andrade, importante poeta brasileiro, afirmava que ‘‘O passado é lição para se meditar, não para se reproduzir’’. Tal assertiva faz referência ao movimento Revolta da Vacina, ocorrido em 1900, quando os brasileiros manifestaram sua insatisfação em relação à obrigatoriedade da vacinação sem a existência de informações sobre suas vantagens e seus riscos no organismo humano. Tendo em vista tais fatores, hoje, o Ministério da Saúde determina não somente a não obrigatoriedade da vacinação, mas também que as indústrias farmacêuticas distribuia papéis informativos, conhecidos como bula, com linguagem simples e objetiva sobre todos os medicamentos comercializados, a fim de permitir que o cidadão tenha consciência sobre a sua utilização.

Não obstante, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados contra a automedicação. Nessa lógica, semelhante ao ocorrido em 2015, inúmeros indivíduos estão adquirindo as superbactérias, ou seja, microrganismos resistentes a medicamentos no organismo humano capazes de levá-lo à morte, devido ao uso indiscriminado de remédios. Isso ocorre por conta do acesso facilitado aos medicamentos sem a prescrição médica devido à ausência de fiscalizações de agentes de saúde em farmácias em amplo território nacional. Ainda, a pouca propaganda direcionada a reeducar a população sobre o consumo de remédios contribui para a permanência da banalização da automedicação, cuja ideia é tratar, nos lares, doenças aparentemente inofencivas sem o acompanhamento médico.

Depreende-se, portanto, que ações contra a automedicação devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, cabe às ONGs utilizar as redes sociais para alertar e divulgar informações acerca do surgimento da superbactéria e da dificuldade em combatê-la, por meio de propagandas, com vistas a gerar uma conscientização e uma reeducação social. Ademais, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde pública, deve impedir a banalização do consumo indiscriminado de medicamentos, por intermédio de fiscalizações em farmácias, com o intuito de minimizar o acesso a remédios sem a prescrição médica e, consequentimente, o surgimento de superbactérias.