Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/11/2020
No documentário “Take your pills”, é retratado a vida dos jovens estadunidenses que tomam remédios sem prescrição médica com a finalidade de aumentar a sua performance escolar. Infelizmente a narrativa não destoa da realidade brasileira, na qual, não só, mas principalmente, os adolescentes abusam do uso de medicamentos a fito de melhorar o seu desempenho. Dessa forma, por causa da crescente concorrência e dos altos padrões exigidos por essa camada da sociedade, há uma procura pelo “milagre” oferecido nas cápsulas, o que acarreta em vícios e severos malefícios futuros na saúde.
No livro “Sociedade do Espetáculo”, do filósofo e sociólogo Guy Debord, é explicitada sua teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse uma performance, tentando sempre dar o melhor show e aparentar, a perfeição. Sob essa ótica, percebe-se que essa teoria se comprova correta quando comparada aos altos padrões impostos pela sociedade hodierna. Com a maior exposição trazida pela internet e a progressão da competitividade, espera-se cada vez mais perfeição do show de cada um e por conseguinte, fazendo com que muitos recorram à fórmulas para melhorar a sua performance.
Entretanto, os problemas não se encontram somente nas causas da automedicação, uma vez que, se encontram muito presentes nas consequências dessa. De acordo com a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), o consumo indiscriminado de medicamentos traz graves riscos à saúde da população. Nesse sentido, como toda droga, legal ou não, os medicamentos caso usados fora de prescrição médica e sem necessidade, tornam-se um vício. Com isso, é fundamental que as autoridades nacionais, e principalmente, as responsáveis na área da saúde, tomem iniciativas imediatas.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão nacional encarregado de dispor de condições para proteção e recuperação da saúde dos brasileiros, criar, por meio de campanhas nos meios de comunicação -na rádio e televisão, por exemplo- a fim de informar as pessoas as consequências de tomarem remédios por conta própria, desde riscos de curto a longo prazo. Da mesma maneira, fazer com que as farmácias dificultem o acesso a esses medicamentos, somente autorizando a venda daqueles que tiverem prescrição médica recente e legítima. Espera-se, com essa medida, que os efeitos da automedicação no Brasil sejam freados.