Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 17/11/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) garante a todos os indivíduos os direitos à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, o crescente número de pessoas que se automedicam, causado principalmente pela ignorância da população e ampliado pela disseminação das fake news, impossibilitando assim que essa parcela da população desfrute desse direito na prática. Nessa perspectiva, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Todavia, ocupando a nona posição da economia mundial, segundo o Banco Mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Entretanto, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na escassez de investimentos do governo que acaba dificultando a resolução desse imbróglio. Segundo dados do Jornal G1, aproximadamente 73% da população brasileira se automedicam devido à falta de atendimento em hospitais públicos. Diante disso, é notório a negligência das autoridades administrativas comprometendo, dessa maneira ao combate à automedicação. É inadmissível que, em um país signatário da DUDH, serviços de saúde básico sejam precários.
Faz-se mister, ainda, salientar as intensivas propagadas realizadas pelas indústrias farmacêuticas aos pacientes como impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, na reportagem feito pela Uol é destacado os graves problemas do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo dois deles a demora de marcar consultas e a falta de remédios. Dessa forma, o conjunto desses fatores leva o cidadão à optar pela automedicação, ao invés de enfrentar tal aflição para ser atendido.
Infere-se, portanto, é indispensável a adoção de medidas capazes de mitigar os impactos da automedicação no Brasil. Logo, cabe ao Ministério de Saúde em parceria com veículos midiaticos devem, por meio de propagandas em canais abertos, alertas as consequências do uso incorreto de fármacos. Essas propagandas devem conter a participação de médicos especializados, responsáveis em expor casos em que o uso de medicamentos por conta própria apresenta. Nesse sentido, o fito de tal ação é atenuar os impactos nocivos desse problema. Somente assim , esse problema será, gradativamente erradicado, pois, conforme Gabriel o Pensador “na mudança do presente a gente molda o futuro”.