Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 02/01/2021
O médico Paracelso já alertava, séculos atrás, ao dizer que a diferença entre o remédio e o veneno será sempre a dose. Dessa forma, a automedicação no século XXI, seja ela em detrimento do cotidiano pós-moderno, ou pela cultura de receitar aos “conhecidos” substâncias sem possuir qualquer formação adequada, permite um avanço do envenenamento em massa. Além disso, apesar das restrições aos antibióticos, a fiscalização no país continua falha para outros remédios.
Em primeira observação, dados do Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ) demonstraram que a automedicação entre os jovens é a mais comum. Essa constatação, por sua vez, pode facilmente relacionar-se a vida baseada em valores e noções temporais fluidos, como descreveu o sociólogo Bauman, ainda no século XX. Isto é, o Ministério da Saúde e da Educação ignoram erroneamente o bem-estar físico e mental dos jovens devido ao costume de achar que juventude continua sendo sinônimo de saúde, consequentemente as doses aumentam e os riscos surgem.
Em segunda ótica, é preciso ressaltar os perigos da medicação por indicação, por exemplo, a ingestão de medicamentos por sugestão de vizinhos, amigos e familiares desvinculados da área da saúde. Logo, o Ministéiro da Saúde adverte repetidamente que o uso, especialmente, contínuo de substâncias medicamentosas sem prescrição e acompanhamento médico pode mascarar problemas de saúde complexos. Aliás, somado a isso, tem-se a ineficiência fiscalizadora do governo.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação promovam palestra e consultas médicas dentro das escolas, a fim de evitar que os jovens fiquem desassistidos principalmente durante o ensino médio, visto que é o momento de grande angústia dos adolescentes. Além disso, é preciso que o Poder Legislativo crie leis que restrijam a compra indiscriminatória de medicamentos e que a Anvisa fiscalize e puna as farmácias que descumprirem as orientações, objetivando a diminuição da cultura descontrolada do uso de químicos.