Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 24/11/2020

A obra fictícia “House”, aborda de diversas maneiras o uso indiscriminado de medicamentos, inclusive através do protagonista, visto que ele é viciado em um comprimido chamado Vicodin,porquanto sofre com dores na perna e para inibi-las consome compulsivamente o mencionado remédio, e em uma das temporadas House teve que ser internado para se desintoxicar da medição.Dessa forma, apesar de ficcional, a série apresenta uma verossimilhança com realidade, uma vez que a automedicação é um problema em diversas sociedades, inclusive na brasileira, e isso ocorre devido a muitos fatores, entre eles a influência das Mídias e a dificuldade de atendimento médico.

Primeiramente , de acordo com suíço Carl Jung, os indivíduos herdam uma predisposição para reagir ao mundo da mesma forma como os seus ancestrais faziam e essa herança estaria no inconsciente coletivo das sociedades. Diante disso, o conceito proposto pelo psicanalista retifica a origem da população brasileira de automedicar-se, contudo, a influência midiática contribui para esse problema uma vez que a propaganda muitas vezes induz e incentiva o consumo de determinado medicamento que nem sempre é o indicado para aquela necessidade. Desse modo, cabe ao governo criar medidas que fiscalizem melhor essas campanhas publicitárias com o intuito de diminuir essa prática.

Outrossim,  é imperativo pontuar que muitos indivíduos mesmo sabendo dos malefícios da ingestão excessiva ou inadequada de medicamentos, ignora-os, provocando o agravamento de doenças ou até mesmo o desenvolvimento de novas patologias.Entretanto, na maior parte dos casos o cidadão é levado a consumir determinados medicamentos, devido à precariedade na saúde pública, porquanto a dificuldade de atendimento em unidades públicas de emergências forçam o brasileiro a automedicar-se, tendo em vista que é muito mais cômodo do que ter que ir à algum hospital, porém bem mais perigoso.Dessa maneira, tal afirmação é corroborada pelos dados da Organização Mundial da Saúde(OMS), na qual afirma que cerca de 1/3 da população mundial tem carência no acesso a remédios essenciais e metade dos pacientes tomam medicamentos de forma inadequada.

Portanto, o Ministério da Saúde, em parceria com a Mídia, deve criar propagandas e campanhas  de conscientização acerca dos efeitos colaterais dos remédios, a fim de diminuir doenças e mortes devido ao uso de medicamentos sem prescrição médica.Ademais, o Ministério da Saúde precisa, rapidamente, melhorar o sistema de saúde pública, começando por investir no aumento de cobertura e qualidade dos serviços na atenção primária, pois, se o cidadão tem para onde recorrer quando está doente, ele não irá sentir necessidade de se automedicar.Assim, espera-se que a sociedade brasileira não tenha mais nenhuma semelhança com a série televisiva “House”.