Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 25/11/2020

A cultura da automedicação na sociedade brasileira O uso de medicamentos é cada vez mais normalizado no país e se dá, muitas vezes, sem indicação médica. No entanto, isso pode gerar efeitos colaterais graves e irreversíveis e até mesmo a piora do quadro sintomático ao indivíduo. Desse modo, é fundamental que as pessoas procurem ajuda especializada para que haja o combate eficiente da enfermidade e, assim, evitar consequências para a saúde, rompendo com essa tradição maléfica.

Primeiramente, é preciso analisar que a cultura de auto prescrição de remédios é nutrida pela dificuldade de se obter atendimento médico e pelo imediatismo do brasileiro. Nesse sentido, as falhas de gestão do SUS (Sistema Ùnico de Saúde) interferem na falta de profissionais em hospitais e sobrecarga de demanda por consultas, fazendo com que muitas pessoas deixem de procurar ajuda. Além disso, a questão enraizada no Brasil, discutida por Sérgio Buarque de Hollanda, no livro “Raízes do Brasil”, e conhecida popularmente pelo nome “jeitinho brasileiro”, é a busca por uma solução de qualquer forma, mesmo pela informalidade e inadequadamente, reflete a problemática da automedicação.

Concomitantemente, o uso desenfreado de drogas pode causar danos sérios como o agravamento de doenças. Sob essa óptica, o antibiótico, quando utilizado de modo errado, numa dosagem ou por um período diferente do que é recomendado, permite o aparecimento de superbactérias, as quais possuem resistência aos medicamentos do mercado e se tornam imbatíveis, causando casos graves de infecção na população mundial. Sendo assim, o impacto dessa atitude ultrapassa o sujeito em si, gerando efeitos graves para a sociedade em geral.

Portanto, é essencial romper esse ciclo cultural de ingerir remédios por conta própria que é extremamente prejudicial. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde promover a educação acerca dos riscos da automedicação por intermédio de campanhas midiáticas que demonstrem o que esse ato pode causar, trazendo o depoimento de reais vítimas dessa prática para, dessa forma, impactar os cidadãos e orientá-los para a procura de especialistas. Ademais, é papel das Secretarias de Saúde de Estados e Municípios distribuírem adequadamente a disponibilidade de clínicos gerais em unidades de atendimento para que seja feita o diagnóstico e o tratamento certos à população.