Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 14/01/2021

O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No Meio do Caminho” a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que o problema da automedicação no Brasil configura-se em um obstáculo para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para os brasileiros, visto que, o revés pode causar complicações em pacientes e também pode dificultar o atendimento médico. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.

Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “Ausente Contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de saúde pública, como é a questão da automedicação. A título de exemplificação, nota-se que apenas o uso da lei 9.294/96 não está oferecendo resultados no combate a essa problemática, posto que, farmácias ainda vendem remédios sem a prescrição do profisssional da saúde, segundo a CNN, para tanto é preciso uma ação conjunta do Ministério da Saúde aliado a outros Ministérios e mais fiscalização para resolução do imbróglio. Isso contribui a resistência de micróbios a medicação, já que, segundo o G1 News, o uso contínuo de medicamentos, principalmente, antibióticos, acarreta em morte de bactérias boas do organismo e resistência de microrganismos nocivos a saúde.

Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia de Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como a medicação por conta própria como uso indevido de remédios que podem levar a danos à saúde. Dessa forma, é evidente que a problemática, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido no corpo social. Desse modo, o não protagonismo da temática, que deve ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, para que se minimizem os imapactos relacionados a ela, como prejuízos a saúde permanetes ou agravados e até a morte, de acordo com a CNN, tornem-se assuntos esquecidos das prioridades a serem solucionadas no país.

Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o progresso da saúde no Brasil. Destarte, cabe aos Ministérios da Saúde e da Educação, por meio de verbas sendo destinadas ao assunto, incluir na grade curricular de escolas e universidades aulas e palestras sobre a automedicação e suas consequências à saúde da população, com profissionais da saúde, já o Ministério da Justiça, mediante designação de profissionais fiscalizadores, deve continuamente averiguar farmácias no país, visando assim melhorar o imbróglio. Outrossim, a mídia, através de notícias, deve emergir o debate sobre o problema na TV e internet. Logo, a sociedade ficará informada dos impactos da questão.