Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 30/11/2020
Fenômeno relevante na sociedade brasileira atual a automedição ganha visibilidade dado a sua recorrência no século XXI. No cenário em questão, o imediatismo na eliminação da enfermidade aliado a facilidade de acesso a medicamentos, inclusive sem prescrição medica, atuam como causas que potencializam o fenômeno. Portanto, políticas públicas com o objetivo de reduzir a automedicação tem caráter emergencial.
Nesse contexto, a automedicação com a intenção de rápida melhora é uma das causas responsáveis pela prática recorrente. Isso ocorre de modo que o país conta com um deficitário sistema de saúde, o qual inclui longas horas de espera em hospitais para receber atendimento, situação que faz com que o indivíduo opte por se automedicar visando otimizar o tempo. Nesse sentido, já que é padrão da atual sociedade a auto produtividade associada ao tempo, a perda desse implica em baixo sucesso, problemática ilustrada pelo filósofo Byung-Chul Han no seu livro Sociedade do Desempenho, o qual coloca que a sociedade aplaude o indivíduo que é sempre produtivo e que acumula função sem maiores preocupações com pausas direcionadas a cuidados com a saúde, com a alimentação e com o lazer. Tudo isso ilustra a necessidade de manutenção do sistema de saúde do país.
Ademais, há ainda a facilidade de acesso a medicamentos, o que aumenta o fenômeno da automedicação. Nesse quadro, as drogarias oferecem remédios para uma grande maioria de doenças sem prescrição médica, o que associado ao uso continuo desses sem acompanhamento de um profissional da saúde pode ter como efeito colateral a dependência química, situação que pode culminar em morte por overdose. Uma vez que é dever do estado, garantido por lei, a efetivação de políticas que visem a redução do risco de doenças, a banalização da automedicação prejudica a saúde do indivíduo e faz dele cidadão de papel, isto é, cidadão que só tem o seu direito garantido por lei e não de forma prática, de acordo com o sociólogo Dimenstein. Logo, é essencial que o acesso a medicação seja mediante a um acompanhamento profissional.
Em síntese, políticas públicas com o objetivo de reduzir o fenômeno da automedicação tem caráter emergencial. Para isso, o Governo, órgão responsável por gerir o pais, deve promover a manutenção do sistema de saúde. Isso deve ocorrer de modo que o Ministério da Saúde deve atuar nos hospitais por meio do aumento de profissionais da saúde para atender a grande demanda de pacientes em menor tempo e, assim, otimizar os atendimentos. Além disso, o Governo deve garantir que a compra de medicamentos deve ser feita, exclusiamente, mediante prescrição médica. Ambas as medidas com o objetivo de garantir a saúde de cidadão e pôr fim ao título de cidadão de papel.