Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 08/12/2020
A Constituição de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 6 º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a automedicação no século XXI, o que dificulta, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a automedicação no Brasil. Nesse sentido, o problema vem persistindo na sociedade, acarretando uma série de consequências, a exemplo da resistência de microrganismos no corpo humano, intoxicação e dependência da medicação. Sob esse viés, é notório que o governo não orienta a população sobre tais perigos, deixando esse assunto tão importante de lado no dia a dia. Além disso, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a precaridade do sistema de saúde como impulsionador da automedicação. Segundo a Conselho Federal de Farmácia (CFF), nos últimos 5 anos, mais de 60 mil pessoas foram internadas por conta da intoxicação causada pelo mal uso de medicamentos. Diante de tal exposto, muitas pessoas se automedicam achando ser a maneira mais fácil e rápida de resolver seu problema, já que atualmente, em muitos postos de saúde existe grande dificuldade e demora em marcar consultas médicas. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver o impasse. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de investimentos em medidas educacionais, crie propagandas, em rádios, redes sociais e canais abertos de televisão, a fim de orientar a população sobre os riscos da automedicação. Assim, se consolidará uma sociedade, em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.