Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 09/12/2020

Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Nessa perspectiva, ainda que a ciência tenha desenvolvido métodos para facilitar a vida humana, como os medicamentos, ainda assim existem obstáculos a serem superados. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz reverter essa situação, os desafios a respeito da automedicação, bem como a necessidade de solucionar problemas corriqueiros acaba por contribuir com a situação atual.

Em primeira análise, é indubitável que ingerir medicamentos sem a prescrição médica pode gerar efeitos colaterais indesejáveis e provocar graves problemas de saúde. A princípio, o remédio tem como intuito amenizar sintomas ruins, como dores, a fim de garantir um conforto maior para o paciente. No entanto, sabe-se o uso de remédios, especialmente dos antibióticos, requer da participação de um profissional, haja vista que o uso incorreto pode selecionar bactérias resistentes, tendo como consequência um agravamento na solução do problema. Desse modo, é notório que a medicação responsável deve ser discutida, para que as pessoas tenham o conhecimento acerca da sua importância, desde que administrada corretamente.

Sob um segundo enfoque, tendo em vista o hábito de solucionar problemas corriqueiros, como uma dor de cabeça, em consonância com a disponibilidade de medicamentos sem uma receita médica, faz com que muitas pessoas pratiquem a automedicação. O paracetamol, por exemplo, mesmo não sendo um antibiótico, é capaz de gerar graves problemas para os rins de quem utiliza sem o acompanhamento médico. Tanto que, segundo os dados da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), a automedicação é responsável por cerca de 20 mil mortes anualmente no país. Com base nisso, é preciso que políticas públicas atuem de forma mais eficiente, para que a informação seja alcançada por todos e a tomada de decisão individual mais responsável.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, campanhas nas redes escolares, sendo administrados por profissionais da área médica, para que seja explicado aos alunos acerca dos problemas da automedicação, a fim de garantir o conhecimento das pessoas. Além disso, cabe ao governo exigir das farmácias, a presença de profissionais que possam orientar sobre alguns medicamentos, especialmente aqueles que não precisam da receita médica, para que as pessoas façam o uso correto do medicamento. Somente assim, será possível a mudança do percurso, de modo que garanta a perspectiva de um mundo melhor e mais consciente.