Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 10/12/2020
A automedicação consiste no ato de tomar remédios por conta própria sem orientação médica. Muitas vezes vista como uma solução imediata para o alívio de alguns sintomas, pode trazer consequências irreparáveis. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), 47% dos brasileiros se medica pelo menos uma vez por mês, e 25% faz todo dia ou pelo menos uma vez por semana, denotando um grave problema de saúde pública. Destarte, medidas devem ser tomadas para solucionar a problemática atual.
O uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que a sua utilização inadequada pode esconder determinados sintomas, ocasionar reações alérgicas, dependência, intoxicação e até a morte. Quando se trata de antibióticos, a atenção deve ser sempre redobrada, pois o uso abusivo desses produtos facilita o aumento da resistência de microrganismos, já que as bactérias se alteram em resposta a utilização de certos medicamentos, comprometendo a eficiência dos tratamentos. Em países onde antibióticos podem ser comprados sem prescrição médica, a emergência e a propagação da resistência é ainda maior.
A globalização trouxe um acesso muito grande a uma quantidade infinita de informações em sites, blogs e redes sociais, através da internet, porém essa facilidade contribuiu para os altos índices de automedicação, haja vista que as pessoas preferem informações instantâneas em detrimento de um aconselhamento profissional. A variedade de produtos fabricados pela Indústria farmacêutica, um sistema de saúde pouco estruturado, a facilidade de comercialização de remédios e a própria cultura e comodidade assimilados pela sociedade que enxerga na farmácia um local onde se vende de tudo, corrobora para a manutenção do atual paradigma.
Segundo o filósofo Michel Foucault, todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com saberes e os poderes que eles trazem consigo. Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde, juntamente com as Prefeituras Municipais atuem no combate da automedicação, por intermédio de campanhas realizadas por profissionais da saúde, nas escolas, nos bairros e nas residências indicando sobre os riscos de se automedicar conscientizando a todos sobre essa questão. Além disso, o Governo Federal deve controlar o fornecimento de medicamentos por meio de leis que proíbam à venda sem a receita e obrigue os farmacêuticos a fornecerem apenas a quantidade estipulada pelo médico, com intuito de evitar o abuso dessas substâncias e a distribuição para outras pessoas. Com estas medidas atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto vivenciado na contemporaneidade.