Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/12/2020

O filme Coringa, lançado em 2019, retrata os dilemas do personagem-título que, ao ser privado de tratamentos psicológicos gratuitos pelo governo, decide tomar os medicamentos por conta própria, acarretando um quadro de extrema depressão e insanidade. Paralelamente, nota-se que a realidade não se distingue totalmente da obra, já que a prática da automedicação se faz cada vez mais presente no cotidiano, especialmente devido à falta de acesso a hospitais e médicos e à escassa divulgação a respeito da gravidade e dos malefícios desta prática. Diante dessa perspectiva, torna-se imperiosa a análise dos fatores favorecedores deste quadro.

A priori, deve-se ressaltar a escassez de informação como impulsionadora do problema. Historicamente, durante década de 1990, a América Latina enfrentava uma avassaladora epidemia de sarampo, sendo assim, o Governo e a mídia brasileiros começaram a divulgar a fundamentalidade da vacinação, atitude que teve como consequência a erradicação da doença em território nacional. Deste modo, evidencia-se a eficácia de campanhas de conscientização da população, ações estas que, caso transpostas à atual situação da automedicação, seriam capazes de evitar futuras mortes e problemas de saúde.

Em segundo plano, a parca acessibilidade à profissionais da saúde também é fator contribuinte à problemática. Segundo a constituição de 1988, a saúde é um direito social, devendo estar disponível de maneira igualitária e gratuita. Desta forma, com o acesso à profissionais locais, ou a transportes de qualidade em direção a centros médicos, habitantes de zonas rurais, por exemplo, poderiam facilmente buscar informações a respeito de medicamentos e dosagens, o que afastaria o senso comum e, consequentemente, os problemas futuros. Além disso, essa medida faz-se essencial neste contexto, já que sem o acesso a hospitais, a supracitada divulgação de nada serviria.

Portanto, providências devem ser tomadas para a resolução do problema. Para que a prática da automedicação se atenue, é preciso que o Ministério da Saúde, por meio de capital público, invista em campanhas de combate a essa prática, produzindo propagandas nos meios de comunicação e fornecendo transporte para moradores rurais e periféricos em direção aos centros de saúde mais próximos. Somente assim o Brasil de afastará do retratado na ficção e caminhará em direção a uma realidade mais democrática.