Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/12/2020
A série “O gambito da rainha” exibe a história fictícia de uma enxadrista, Beth Harmon, que enfrenta problemas decorrentes do consumo excessivo e desorientado de calmantes. Esse contexto assemelha-se à realidade vivida por muitos indivíduos no mundo contemporâneo, haja vista que a automedicação é um hábito que, suscitado por determinados aspectos sociais e tecnológicos, tornou-se comum na atualidade. No entanto, conforme evidenciado pelo decorrer da série, o consumo de medicamentos sem a prescrição de um profissional pode originar prejuízos severos à saúde, o que torna urgentes ações que visem a reduzir os exageros advindos desse hábito.
Inicialmente, é válido abordar o documentário “Take your pills”, o qual aborda o problema em discussão e seus efeitos sobre a população jovem. Nesse sentido, a obra documentária analisa depoimentos de estudantes que pontuam a necessidade da autoprescrição de medicamentos que beneficiam a concentração e mitigam o sentimento de ansiedade, potencializando, portanto, o desempenho acadêmico desses indivíduos. Sob essa ótica, é possível inferir que a pressão psicológica e o estresse que advêm da expectativa de sucesso nos estudos - tanto por parte da sociedade quanto por parte dos próprios estudantes - apresentam-se como agravantes da automedicação. Ademais, é possível traçar um paralelo entre o documentário e o enredo de “O gambito da rainha”, no qual a ansiedade pelo sucesso nos torneios de xadrez é um dos estimulantes para que a protagonista insista no consumo de calmantes, semelhantemente ao que ocorre com os jovens no período de estudos.
Diante dessa análise, destaca-se outro agravante do problema da automedicação: a facilidade de acesso à informação inerente ao mundo contemporâneo. Embora essa característica gere benefícios em diversos aspectos, incluso o âmbito da saúde, a elevada velocidade dos meios comunicacionais e informacionais modernos amplia o acesso aos modos de obtenção de medicamentos. Isso também é evidenciado no documentário supracitado, no qual os jovens entrevistados afirmam que a automedicação, desde o início, fora facilitada pelo contato via internet com colegas consumidores e fornecedores ilegítimos dos medicamentos.
Por fim, é indispensável que órgãos públicos responsáveis pela saúde promovam a difusão do conhecimento acerca das causas e conquequências da automedicação. Isso pode ser efetivado por intermédio de campanhas e discussões públicas, as quais devem ser divulgadas em redes sociais e fóruns de notícias, de modo a reverter o papel das mídias de comunicação na propagação do problema abordado e, assim, reduzir os efeitos negativos da automedicação. Dessa maneira, será possível reduzir o número de pessoas em situações como a vivida pela protagonista de “O gambito da rainha”.