Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 25/12/2020

Na série brasileira “Sob Pressão”, transmitida pela emissora “Rede Globo”, é retratada a história do médico “Evandro”, o qual recorre ao uso de remédios sem prescrição para suportar os problemas pessoais e profissionais. Fora da dramaturgia, essa é a realidade de muitos brasileiros, independentemente de gênero ou idade. Nesse sentido, pode-se afirmar que isso ocorre devido às altas exigências sociais e pela influência das publicidades, que incentivam os indivíduos a seguirem a cultura da automedicação. Assim, é fundamental que medidas sejam tomadas para solucionar o impasse.

Mormente, é fulcral afirmar que as elevadas competições na vida acadêmica e profissional influenciam ao uso de medicamentos de “alto desempenho”, que resultam no desenvolvimento de novas doenças e vícios. Na obra " Sociedade do Espetáculo", do sociólogo Guy Debord, é apresentada sua teoria de que todo ser humano encara sua vida como uma grande performance, tentando apresentar-se sempre com perfeição. Analogamente, esse comportamento é repetido no âmbito social, na medida em que as pessoas submetem-se ao uso indiscriminado de medicações para tornarem-se “perfeitos” aos olhos da sociedade. Entretanto, o uso de remédios sem necessidade e recomendações médicas pode tornar-se um ciclo vicioso, em que os malefícios, em longo prazo, são desconhecidos.

Outrossim, é indispensável lembrar que as propagandas medicamentosas visam apenas seu lucro, e assim, inibem os malefícios das cápsulas e fomentam a propagação da automedicação. Isso, porque, nas propagandas televisivas interpretadas por pessoas públicas- normalmente em boa forma- influenciam a população consumirem determinado medicamento sem necessidades evidentes, como, por exemplo, o “Epocler”, o qual é recomendado para amenizar os efeitos da alta ingestão alcoólica. De acordo com o site “G1”, o CFF (Conselho Federal de Farmácia) constatou que a automedicação é um hábito de 77% dos brasileiros. Dessa forma, esses cidadãos acabam predispostos a desenvolverem doenças cada vez mais resistentes, o que colocará em questão a eficácia das drogas existentes.

Depreende-se, portanto, a necessidade de soluções para sanar a problemática. Em princípio, é essencial que o governo federal em parceria com o Ministério da Saúde proíba a compra- sem receita- de medicamentos nocivos à sociedade, por meio de um projeto de lei -votado e aprovado na Câmara dos Deputados-, com o objetivo de dificultar o acesso a esses medicamentos. Ademais, é preciso que a mídia, importante formadora de opinião, introduza esse debate dentro dos lares brasileiros, por intermédio de propagandas e novelas, com o intuito de mobilizar a população ao combate desse percalço. Destarte, a realidade deixará de imitar a ficção e a cultura da automedicação será superada no Brasil.