Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 24/12/2020

Na novela malhação, a personagem Keyla comprou remédios sem prescrição médica com o intuito de usá-los para emagrecer, entretanto ela não tinha conhecimento sobre os efeitos colaterais que a levaram a ser internada em um hospital. De fato, casos como o dela não se limitam a cenários fictícios e refletem os danos o uso de remédio por conta própria podem gerar. Nesse sentido, debater acerca da automedicação é pertinente ao contexto moderno. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que a sociedade atual busca por soluções rápidas e esse comportamento é bastante prejudicial quando subordinado à saúde.

Deve-se pontuar, antes de tudo, um dos grandes símbolos da Revolução Industrial foi o relógio, pois pela primeira vez na história, as pessoas passaram a serem regidas agilidade das máquinas e não pelo tempo natural. Logo, presume-se que essa tendência na saúde faz que os indivíduos busquem resolver as doenças de forma rápida e prefiram atacar as consequências com a automedicação do que as causas em hospitais com exames que demorariam mais. Segundo o médico Drauzio Varella, o uso de remédios por conta própria pode fazer com que os indivíduos ingiram uma quantidade maior do que a recomenda e consequentemente comprometa o funcionamento do organismo. Nessa lógica, é válido afirmar que quando se trata de saúde, as pessoas não podem optar pela solução mais rápida.

Ademais, a automedicação é um artifício rápido, mas não necessariamente eficaz que pode  ser extremamente danoso. Dentre esses efeitos, em 2015 diversos países se comprometeram em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas  (ONU), nos quais uma das metas é promover a saúde e o bem-estar dos cidadãos.  Por certo, enquanto as pessoas ingerirem remédios por conta própria e correrem o risco de comprometer o organismo, cumprir esse acordo internacional será inviável. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o da Keyla não podem continuar a ser reflexo da sociedade moderna. Assim, é necessário que cada país trabalhe essa questão internamente. No caso do Brasil, cabe ao Ministério da Saúde, com ações do Conselho Federal de Farmácia, limitar a compra de remédios sem receita médica, por meio de uma conduta ética própria para isso que deve ser ensinada na faculdade, com intuito de resguardar a saúde dos cidadãos. Além disso, as mídia tradicionais e modernas precisam alerta as pessoas sobre os malefícios da automedicação, a fim de fazê-las optar por tratar a causa da doença. Enfim, a partir dessas ações, o Estado promoverá o bem-estar e a saúde dos cidadãos conforme acordado com a ONU.