Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 26/12/2020
Em sua obra “Utopia”, Thomas Morus identifica a realização de um lugar perfeitamente harmônico, ideal e livre de problemas, no qual o bem-estar físico, social e mental é garantido. Entretanto, na atual conjuntura sociopolítica brasileira, a realidade vivida é o oposto àquela conceituada pelo autor, já que problemas de cunho sanitário, como a automedicação, são imbróglios para a concretização da sociedade descrita. Dessa forma, esse quadro anômalo é fruto tanto da utilização de propagandas quanto do atendimento público de saúde. Portanto, esses problemas, que se tornaram fenômenos sociais, precisam de um olhar crítico, a fim de serem solucionados.
Em primeiro plano, é preciso analisar os efeitos causados pela propagação de anúncios farmacêuticos voltados à população como um todo. Assim, as transmissões e as exibições desses materiais em redes de televisão aberta contribuem para um sentimento de independência médica, de forma a comercializar a saúde e a incentivar o consumo de medicamentos sem prescrição e sem encaminhamento médicos. Logo, o “merchandising” farmacêutico influencia no aumento exponencial do automedicar-se, ato que atua como uma das principais causas de intoxicação no mundo, segundo o Conselho Federal de Farmácia. Por isso, é imprescindível o acesso restrito à publicação de medicamentos.
Outrossim, a eficiência concernente ao atendimento público de saúde necessita ser abordada. Sendo assim, de acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), a longa espera em postos de saúde ou em hospitais foi abordada, por cerca de 35% dos entrevistados, como um impedimento para a tramitação do tratamento médico. Dessarte, a falta de agilidade operada pelas condições de assistências precárias faz com que a automedicação seja adquirida como um meio alternativo para os cuidados paliativos, de maneira a se observar uma negligência governamental, bem como uma irresponsabilidade constitucional. Com base nisso, a dinamização do atendimento sanitário é obrigatória.
Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é indispensável. Por conseguinte, o Governo Federal, aliado ao Conselho Federal de Farmácia, deve promover a divulgação limitada dos fármacos, a qual deve ser acessada apenas pelos órgãos competentes, com a criação de uma rede nacional de compartilhamento de remédios. Por fim, alcançar-se-á a informação de novos produtos favoráveis à saúde e a aproximação da sociedade utópica. Não obstante, é mister que o Ministério da Saúde - órgão primordial para o avanço sanitário - aumente a quantidade de atendentes por unidade de saúde, para que o quórum profissional seja atingido, com a profissionalização pessoal desses.