Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 27/12/2020
Paracelso, físico suíço, disse uma vez: a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Ainda que proferida no século XVI, tal frase, reflete uma problemática atual na sociedade brasileira: a automedicação e seu risco de mazelar a saúde individual. Sem dúvidas, a falta de educação em saúde aliada ao modelo de vida pós moderno positivista são raízes do problema. Para tanto, urge a atuação de entidades governamentais e da sociedade civil no combate ao problema.
Inicialmente, é notável que o consumo de medicamentos por contra própria é fruto da falta de instrução na sociedade. Isso porque, a sociedade atual não é dotada de “educação em saúde”. Esse conceito, conforme o Ministério da saúde, permite oportunizar a comunidade através de práticas em saúde a construir conhecimentos para aumentar a autonomia das pessoas no seu cuidado. Todavia, o Governo e entidades de saúde não promovem uma educação massiva no que tange ao uso inadvertido de medicamentos e desse modo as pessoas não atentam-se a importância de seguir prescrições medicamentosas, ler bulas ou procurar profissionais da área para medicar-se. Assim, ficam a mercê das intoxicações, do mascaramento de doenças e da dependência que o uso dos remédios pode provocar.
Além disso, é imperativo pontuar que o modo de vida atual marcado pelo excesso de positividade está no cerne do problema. Nesse sentido, faz perceptível a concepção filosófica de Byung-Chul Han em seu livro “Sociedade do cansaço”. Para ele, o sujeito moderno é um ser multitarefado voltado a superproduzir, maximizando sempre seu desempenho. Como resultado, torna-se esgotado física e mentalmente, adentrando na utilização indiscriminada e sem indicação de medicamento para manter seu desempenho.
Logo, são necessárias ações a fim de combater a automedicação pela sociedade. A priori, cabe ao Ministério da saúde desenvolver um programa de educação em saúde divulgado nacionalmente através das mídias televisivas, radiofônicas e virtuais que tematize os riscos do consumo de medicamentos sem orientação. Assim, gerando uma conscientização individual e coletiva. Ainda, o Governo, deve divulgar uma cartilha de prevenção a automedicação, utilizando o meio impresso e eletrônico, com foco na importância do descanso e dos malefícios do excesso de atividades. Com isso tudo, garantir-se-á que a frase de Paracelso não desnivele para o veneno.