Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 28/12/2020

Inspirada pelo positivismo de Augusto Comte, a inscrição da bandeira nacional brasileira sugere que o progresso só é conquistado mediante o estabelecimento da ordem. Todavia, o caos promovido pela automedicação no século XXI impede que a saúde progrida no Brasil, pois, cerca de 35% dos medicamentos são adquiridos nas farmácias do país por pessoas que estão se automedicando. Este relevante problema decorre, principalmente, da ineficiência estatal e da falta de mobilização da sociedade civil.

A princípio, nota-se a negligência da população com relação à saúde, o que se configura como um fato social. Este conceito, criado pelo sociólogo francês Émile Durkheim, afirma que valores exteriores e gerais se impõem sobre o sujeito de modo coercitivo e moldam seu comportamento. Nesse viés, a ausência de movimentos sociais e mobilizações coletivas que visem combater a automedicação desestimula os indivíduos na busca por soluções. Como consequência dessa inação, casos de intoxicação, interação medicamentosa e dependência cresce no país e, portanto, demanda intervenções.

Destaca-se, ainda, a ineficiência estatal no enfrentamento do problema. Segundo a teoria do “Contrato Social”, do filósofo inglês John Locke, o Estado tem a função de suprir todas as necessidades básicas da população, como o acesso à saúde. No entanto, há uma violação desse contrato no Brasil, dado que a Constituição de 88 garante esse direito, porém a regulamentação e, principalmente, a execução dessas leis não são capazes de superar a prática da automedicação. Esse cenário reforça a posição do Brasil entre as piores do mundo no setor e, sendo assim, deve ser enfrentado frontalmente.

Destarte, considerando as informações supracitadas, é evidente a necessidade de mobilização da sociedade civil e de atuação mais efetiva do Estado. Nesse sentido, as empresas de rádio, TV e mídias digitais — devido a sua grande influência na sociedade — devem criar campanhas de conscientização sobre a saúde individual e coletiva, por meio de anúncios publicitários, cobertura jornalística e obras de ficção engajadas (como novelas, filmes e seriados), com o objetivo de despertar o interesse da população para o combate à automedicação. Além disso, cabe ao Poder Legislativo não apenas criar novas leis na área em questão e aprimorar as existentes, mas também fiscalizar o Poder Executivo na aplicação das mesmas, conforme determina a Constituição Federal. Com essas medidas, restabelecer-se-á a ordem necessária para o progresso do país.