Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 28/12/2020
O documentário “Take Your Pills” disponível na plataforma Netflix, tematiza as diversas formas de doping comuns na sociedade atual: esportivo, acadêmico, laboral, trabalhista. Essa prática é mais uma manifestação de um comportamento recorrente na sociedade brasileira, o uso de medicação seja para sintômas, seja para aumentar o desempenho sem a devida orienteção médica. Considerando os diversos prejuízos, individuais e coletivos causados por essa ingestão não supervisionada de remédios, é necessário que, o governo e a sociedade cívil se organizem para o combate a automedicação no Brasil.
Entre outros fatores que conduzem a essa utilização inadequada de medicamentos, destaca-se a falta de acesso a um atendimento de saúde de qualidade e ágil. Tendo em conta que, de acordo com o artigo.196 da CF 1988, a saúde é direito de todos e dever do Estado, observa-se a imcompetência estatal em garantir a efetivação desse fundamento. Esse aspecto é intensificado pelo imediatismo que caracteriza a sociedade contemporânea, em que inserido no sistema de produção capitalista, o trabalhador frequentemente se sente precionado a apresentar um alto desempenho, sem tempo por exemplo, para o descanso ou até mesmo para a recuperação da saúde, isso corresponde ao cenário descrito pelo filósofo contemporâneo, Byung-Chul Han, em seu livro “sociedade do cansaço”, em que ele afirma que se vive hoje a sociedade do desempenho.
Esse cenário conduz consequentemente, a um abuso de substâncias farmaceutícas sem a prescrição médica adequada. Esse quadro pode em alguns casos, levar a intoxificação, a exemplo do excesso de paracetamol, substância que é hepatotoxíca, ou seja, que é toxíca para o fígado. No caso dos antibióticos especificamente, pode haver até mesmo a seleção de bactérias resistentes, fazendo com que surjam por exemplo, infecções ainda mais difíceis de serem tratadas, o que ao final piora a crise de sucateamento de serviço público de saúde já mencionado.
Portanto, com vistas à combater esse hábito danoso tão comum entre os brasileiros, é necessario que o Ministério da Saúde em parceria com categorias profissionais como, o Conselho Federal de Medicina e de Farmácia organize campanhas informativas e de alerta, vinculados na mídia televisiva, radiofônicas, social e impressa, que traga especificamente, relatos e depoimentos de formadores de opinião, a exemplo do doutor Dráuzio Varella, que a partir de uma linguagem compreensível aborde a gravidade de se tomar remédio por conta própria.