Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 05/01/2021

Para o antropólogo Franz Boas, o comportamento de um indivíduo é determinado pelo seu ambiente cultural. A esse respeito, insere-se a cultura da automedicação na esfera social, já que essa prática é cotidiana no Brasil. Diante disso, a desinformação civil e a inoperância fiscalizatória são fatores que colaboram para o uso indiscriminado de medicamentos. Logo, urgem políticas preventivas para mitigar os riscos dessa ação.

Em primeira análise, vale pontuar que, conforme à obra ’’ A Sociedade do Cansaço’’ de Chul Han, a aceleração do tempo no contexto social atual possui relação com a automedicação, visto que muitas vezes o civil imediatista busca solucionar sintomas de saúde de forma ágil, inclusive, via internet. Nesse viés, situações adversas de intoxicação ou dependência medicamentosa podem ocorrer, haja vista a falta de parecer médico no uso de remédios por conta própria. Portanto, é preciso políticas educacionais para combater essa prática irresponsável e danosa à saúde humana.

Além disso, deve-se ressaltar que a inoperância estatal é primordial para efetivar a banalização da automedicação no Brasil, pois grande parte da população ingere remédios sem prescrição médica. Afinal, consoante ao site G1, cerca de 80% da sociedade já se automedicou em algum momento da vida, fato esse, que demonstra a facilidade do acesso à medicação no país. Desse modo, esse uso irrestrito de fármacos pode mascarar doenças graves, já que o civil não tem embasamento para efetuar diagnósticos. Em suma, fica clara a urgência de fiscalização eficaz para atenuar o cenário.

Em virtude disso, uma solução plausível para reduzir a automedicação será a criação do projeto ‘‘Pílula Consciente’’ pelo Ministério da Saúde. Posto isso, com verbas federais, profissionais da saúde vão elaborar aulas curtas em vídeo com informações sobre os riscos de ingerir remédios sem parecer médico. Dessa maneira, o tema será veiculado nas mídias digitais, como Instagram e Youtube, a fim de desconstruir esse hábito cultural. Ademais, o Conselho Federal de Farmácia deve implantar políticas mais rídigas de fiscalização. Assim, a automedicação não será cultura no país.