Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 15/01/2021

Em 1930, Manuel Bandeira escreveu um poema chamado “Pneumotórax”, mostrando de forma trágico-cômica que a morte se aproximava de um sujeito com tuberculose. Atualmente, o aparecimento das superbactérias volta a ameaçar a população, devido, particularmente, ao abuso de automedicação. Este cenário é fruto tanto da facilidade de acesso aos conteúdos médicos nos meios digitais, quanto da precariedade e morosidade do atendimento público de saúde. Diante disso, é essencial a discussão desses aspectos para amenizar a situação.

Precipuamente, é importante ressaltar que o uso desmedido de remédios possui relação com o crescente número de páginas relacionadas a saúde na internet. Em decorrência disso, o próprio Google fez uma parceria com o Hospital Albert Einstein e criou cartões com informações críveis sobre doenças, para consulta da população. No entanto, ainda que dados confiáveis estejam disponíveis no mundo virtual, o auto diagnóstico pode ser falho, incorrendo em tratamentos equivocados que podem piorar o quadro clínico, e até causar a morte. Desse modo, é grande a necessidade de mudança no comportamento dos indivíduos.

Ademais, é lícito destacar que grande parcela dos brasileiros é privada de um suporte médico governamental de qualidade, tendo, assim, que recorrer a meios alternativos que sejam compatíveis com o baixo recurso financeiro disponível. Contudo, de acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é direito de todos e dever do Estado, aspecto muito negligenciado no país. Nesse sentido, a ineficiência dos governantes contribui para a perpetuação do problema, já que ter o amparo de profissionais é primordial para conter o uso indevido de medicamentos.

Depreende-se, dessa forma, a urgência de ações interventivas que atenuem a questão. Para isso, o Governo Federal deve ampliar os atendimentos médicos do país, por meio de investimentos na contratação de pessoal e melhoramento das estruturas hospitalares. Sendo assim, o intuito de tal ação é fornecer um auxílio eficaz, em tempo justo, que reduzirá a busca por ajudas informais e, consequentemente, desestimulará a automedicação.